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Reabilitação das estradas facilita circulação

Guimarães Silva| Caxito

A circulação rodoviária no Bengo está mais facilitada com a reabilitação das principais vias. Caxito é hoje um ponto de passagem obrigatório nas deslocações para as províncias do Uíge e Zaire.
Caxito cresce em importância e, no dia-a-dia, milhares de pessoas chegam por estrada à cidade, utilizando os táxis ou autocarros públicos e privados.

Caxito é hoje um ponto de passagem obrigatório nas deslocações para as províncias do Uíge e Zaire
Fotografia: Edmundo Eucílio| Caxito

A circulação rodoviária no Bengo está mais facilitada com a reabilitação das principais vias. Caxito é hoje um ponto de passagem obrigatório nas deslocações para as províncias do Uíge e Zaire.
Caxito cresce em importância e, no dia-a-dia, milhares de pessoas chegam por estrada à cidade, utilizando os táxis ou autocarros públicos e privados. Os pontos de partida de Luanda para a capital do Bengo são os emblemáticos mercados do Kicolo e dos Kwanzas.
A reportagem do Jornal de Angola viajou desde o mercado dos Kwanzas, no Sambizanga, numa rota de 66 quilómetros até ao Caxito. O táxi atravessou o município do Cacuaco, cruzou o desvio da Barra do Dande, seguiu até Porto Quipiri e dali para a cidade capital do Bengo. A corrida de táxi fica por 300 kwanzas, ao passo que os autocarros cobram apenas 200 kwanzas e são mais seguros e confortáveis.
Nos táxis a tagarelice não deixa ouvir o roncar do motor. Fala-se muito mas ouve-se pouco, também porque o candongueiro anda com o volume do rádio muito alto e nem sempre a música é de bom gosto.
 Durante o trajecto é fácil descortinar o movimento intenso de táxis e autocarros, que transportam milhares de pessoas entre Luanda, Caxito e Uíge ou Mbanza Congo. A fluidez do trânsito está facilitada com as estradas reabilitadas e as pontes repostas. Muitos passageiros apercebem-se pela primeira vez do resultado dos esforços da reconstrução nacional. Há pessoas que nem reconhecem a estrada que conheciam antes das obras.
O ponto de chegada é o Sassa Povoação. A aldeia é estratégica porque se trata do maior mercado provincial receptor de pessoas e mercadorias. Está localizada fora dos limites da cidade do Caxito, na via que dá para a província do Uíge.
No Sassa Povoação a azáfama é notória. O movimento de pessoas e mercadorias é permanente. João Alfredo, que conduz o táxi, revela que tem de cobrar o preço da viagem adiantado porque muitos passageiros já em Luanda dizem que não têm os 300 kwanzas e querem pagar apenas os 200 que pagam nos autocarros: “Por isso cobramos antes para não ficarmos no prejuízo, nesta vida, todo o cuidado é pouco”, disse o avisado motorista.

Táxis e autocarros

Os táxis dominam o mercado de transportes. Os nomes das operadoras de transportes de passageiros são a Transbengo, Dizeta e Bruno Tour. O número de táxis e autocarros privados em circulação é enorme, alguns sem qualquer designação, nem a pintura os identifica.
O denominador comum destes operadores piratas está no transportar o maior número possível de passageiros por viagem. A lotação aqui não conta. Facturar é o verbo mais conjugado. Levar nove passageiros, como consta no livrete, é pouco, 20 já vale a pena. Quanto mais passageiros melhor, para no fim do dia haver dinheiro para o patrão, para o motorista e o cobrador.
Pedro Manuel, 30 anos, é motorista há ano e meio. O taxista faz diariamente o trajecto de 170 quilómetros de Quibaxe para Sassa Povoação, no Caxito, como forma de ganhar o sustento para a família.
De Quibaxe para o Sassa os passageiros levam diariamente mandioca, banana e ginguba. De volta a casa, os passageiros levam do mercado sabão, óleo vegetal e outros produtos alimentares.
Pedro Manuel faz duas viagens por dia no percurso Quibaxe-Caxito-Quibaxe. "Trabalho de segunda a quinta-feira para o meu patrão, o dono do carro. À sexta tenho o direito de fazer o meu próprio salário", revelou.
O motorista transporta cinco passageiros no táxi e cobra 1000 kwanzas por cada passageiro. "Faço cinco mil kwanzas na ida e outros cinco no regresso. Portanto, nas duas viagens de ida e volta totalizo 20 mil".
No processo de transporte de passageiros intervém um elemento passivo, mas de grande serventia, é o "lotador" que chama os passageiros para o táxi. Com um chamariz cativante e voz musicada "Quibaxe, Quibaxeé", preenche os lugares com passageiros e a mala com a bagagem. João Faísca é um dos "lotadores" que no mercado do Sassa Povoação faz as delícias de oito a dez carros e no final do dia leva para casa entre três e quatro mil kwanzas.
"Os dias da semana são os melhores, porque há muitos carros de Quibaxe, Bula Atumba e Nambuangongo. Nós aqui no mercado do Sassa estamos organizados e até temos passe de "lotador" da Administração comunal das Mabubas para ajudar a encher os carros", revela à nossa reportagem.
Rosalina Menezes vive no município de Quibaxe. Comerciante, faz a viagem até Caxito duas vezes por semana. "Os táxis ajudam muito, mas a corrida ainda fica cara. Eu pago 2.200 kwanzas pela minha passagem mais a carga. Desta forma temos que aumentar no preço dos produtos para termos algum lucro", disse.

Sete Embondeiros

O trajecto entre Sete Embondeiros e Caxito, no eixo que dá acesso ao município do Ambriz, num percurso de 20 quilómetros, está em estado lastimável, por via disso, a circulação é reduzida e difícil.
A viagem nesta via fica em 200 kwanzas. Mas, nem todos os taxistas se atrevem a meter lá os seus carros. Os riscos de ficar pelo caminho são grandes.

Direitos e obrigações

A actividade de transporte de passageiros tem direitos e obrigações. O pagamento da taxa anual de circulação, o seguro obrigatório automóvel, o imposto industrial e a licença encabeçam o número de obrigações.
Os motoristas de passageiros têm no Caxito os guichets da Direcção Provincial dos Transportes do Bengo para tratar da licença, depois de pago o seguro obrigatório.
Segundo Virgínia Pedro, chefe do Departamento Provincial dos Transportes do Bengo, a instituição acolhe com muita simpatia a afluência dos taxistas, mas elucida que a licença tem um prazo de validade correspondente ao do seguro. Esclareceu ainda que a licença emitida no Caxito só é válida na província do Bengo. Uma viagem para Luanda ou para o Uíge tem carácter interprovincial e o motorista com a licença do Caxito não pode fazer estes percursos. Tem de ter uma licença diferente, passado pelos órgãos centrais.
No Caxito, o comando da Polícia Nacional revelou ao Jornal de Angola que entre os utilizadores das estradas e ruas do Bengo há os educados e os mal-educados. Considera, no entanto, regular o movimento de carros, taxistas incluídos, nas estradas da província e disse que os índices de sinistralidade nem por isso são dos mais elevados.
A reportagem do Jornal de Angola contactou a Repartição Fiscal do Dande, na cidade do Caxito, para saber das receitas arrecadadas com as taxas de circulação e impostos. Há um movimento satisfatório quanto às taxas de circulação, mas são reduzidos os números do Imposto Industrial, que é pago anualmente.

Meios de apoio

A circulação de pessoas e bens tem na província do Bengo bases de apoio que facilitam o processo. Bombas de combustível móveis e fixas encontram-se no Cacuaco, Porto Kipiri, Hotel Bengo, Sassa, Mufuma e nas Mabubas.
Caxito tem poucas estações de serviço, apenas funciona a Boaventura com serviço completo. A solução para a lavagem de carros são as pequenas estações improvisadas ao longo da estrada directa de Caxito ou a estrada paralela à vala de drenagem.
Para remendar um pneu existe a "Recauchutagem do Luizinho", instalada com o apoio do Crédito Jovem, e algumas de carácter artesanal, mas que dão emprego a muitos jovens que no mercado informal procuram ganhar algum dinheiro de forma honesta e não cair no submundo do crime.

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