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Segurança nos comboios garantida aos passageiros

Sampaio Júnior| Benguela

A segurança dos comboios que fazem o percurso entre as cidades do Lobito, Benguela e Huambo, vai ser reforçada, com a criação da Unidade de Policia Ferroviária, revelou  ao Jornal de Angola o comandante provincial da Polícia Nacional em Benguela, António Maria Sita.

Autoridades preparam Unidade de Polícia Ferroviária para garantir a segurança de passageiros e mercadorias nos comboios
Fotografia: Sampaio Júnior| Benguela

A segurança dos comboios que fazem o percurso entre as cidades do Lobito, Benguela e Huambo, vai ser reforçada, com a criação da Unidade de Policia Ferroviária, revelou  ao Jornal de Angola o comandante provincial da Polícia Nacional em Benguela, António Maria Sita.
O delegado do Ministério do Interior em Benguela informou que no Comando Geral da Polícia Nacional estão a ser tomadas medidas que visam a criação da Polícia Ferroviária, nas províncias de Benguela, Huambo, Bie e Moxico, para se ocupar da segurança dos comboios e das estações.
A criação da Polícia Ferroviária há muito que foi ponderada e chegou agora o momento da sua institucionalização devido à entrada em funcionamento do comboio desde o Lobito ao Planalto Central, transportando pessoas e mercadorias.
A Polícia Nacional investigou os riscos inerentes às actividades ferroviárias e tem reunidas as condições para garantir os níveis de segurança para que o serviço de transporte ferroviário decorra sem problemas para os utentes.
"Nós não temos nenhum problema em assegurar ao Caminho de Ferro de Benguela  uma equipa policial através da Unidade de Protecção de Objectivos Estratégicos que mantém a ordem e a vigilância para salvaguardar os bens públicos. Para conter possíveis distúrbios dentro de um comboio, bastam os fiscais da empresa ferroviária. Para prevenir o crime, as forças da ordem vão ser reforçadas, já que os comboios vão transportar muitos passageiros que utilizam a linha ferroviária entre o Lobito e o Huambo", disse o comissário António Maria Sita. A Unidade de Polícia Ferroviária vai fazer do comboio o transporte mais seguro para longas viagens.

Empresários satisfeitos

O CFB tem uma longa história que passa pelos antigos comboios a vapor e chega às modernas locomotivas que ontem começaram a circular de uma forma regular. O Executivo investiu milhões de dólares para construir ferrovias no país, criando milhares de postos de trabalho, para ligar as prósperas cidades costeiras com o Centro e Leste de Angola.
"A rede ferroviária em expansão promove o desenvolvimento económico e a construção de novas infra-estruturas, além de criar oportunidades de trabalho", disse Octávio Pinto, industrial de camionagem em Benguela. 
"O investimento nas vias-férreas melhora a qualidade do transporte e também incentiva o desenvolvimento de indústrias no interior do país. O Executivo, ao melhorar a rede ferroviária para carga e passageiros, está a beneficiar milhões de angolanos que podem agora viajar com segurança e a preços módicos e pagar menos pelos bens essenciais", acrescentou.
"As actuais vias-férreas vão estimular o desenvolvimento da economia nacional, por isso é bom pensar na ampliação da rede", disse o industrial.
O regresso do comboio não prejudica as empresas de camionagem, disse Octávio Pinto, porque os homens do volante também se desenvolveram com rapidez tornando o transporte mais barato e seguro. A competição incentiva os dois serviços a melhorarem.
A partir de agora, o parque industrial do Lobito fica ligado ao Huambo, as empresas têm melhores condições logísticas, o que lhes permite um maior dinamismo na realização das actividades do dia-a-dia.
Com a entrada em funcionamento do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), parte do tráfego de mercadoria que actualmente é feito por estrada passa para o comboio, ficando mais robusta a cadeia logística de transportes, que vai exercer um papel importante e dinâmico na economia.
"Para os que não acreditam nas obras que o Executivo tem vindo a realizar esta é ocasião para acreditarem que a viragem está patente e o país cresce por existir obra feita. A perspectiva a médio e longo prazo, com o surgimento da malha ferroviária, é ligar os países da SADC", afirma Octávio Pinto.
Para o industrial de camionagem, só não vê obra feita quem não quer, porque o país está ligado por estradas reabilitadas ou construídas e agora por via férrea.

Turismo em alta

Houve uma aposta na modernização da empresa do Caminho-de-Ferro de Benguela e a entrada em funcionamento do comboio deve ser aproveitada pelas agências de viagens e outros operadores económicos para criar um novo roteiro turístico, defendeu o presidente da Associação da Hotelaria e Turismo de Benguela, Jorge Gabriel.
A viagem entre as capitais provinciais é uma realidade. O comboio vai parar em várias localidades que têm belezas naturais ímpares, por isso precisamos de um roteiro turístico, salientou.
Para cada estação deve ser preparado um programa interessante, com os pontos mais emblemáticos, sugeriu. O comboio tem carruagens com compartimentos para quatro pessoas, carruagens com compartimentos para duas pessoas e carruagens de luxo.
Os passageiros têm também à sua disposição restaurante e uma carruagem com chuveiros. As carruagens de luxo estão equipadas com chuveiros e durante todo o percurso, os turistas estrangeiros são acompanhados por guias.
A empresa pública ferroviária, sublinha Jorge Gabriel, se ajudar no lançamento de um novo roteiro turístico permite atingir importante etapa do desenvolvimento do turismo nacional.
A via ferroviária tem também valor para a descoberta do belo das paisagens. O paraíso pode ser visto numa viagem de comboio entre o Lobito e o Luau, passando pelo Planalto Central.
Mais do que simples instrumento de circulação, o comboio contém um grande valor patrimonial, que é inseparável das paisagens que atravessa, das narrativas que se desenrolam à sua volta, das personagens que a cruzam e dos horizontes e das gentes que em seu redor se acomodaram ao longo dos séculos.

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