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Soyo recebe as primeiras chuvas

Jaquelino Figueiredo | |Soyo

A época chuvosa começou no passado dia 15 de Agosto. Dez dias depois, a 25 do mesmo mês, o município petrolífero do Soyo registou as primeiras chuvas.

Autoridades municipais em colaboração com a empresa Angola LNG promovem trabalhos de limpeza das sarjetas e esgotos no Soyo
Fotografia: Jaquelino Figueiredo

A época chuvosa começou no passado dia 15 de Agosto. Dez dias depois, a 25 do mesmo mês, o município petrolífero do Soyo registou as primeiras chuvas.
A chuva, considerada madrugadora, comparada com os anos anteriores, surpreendeu tudo e todos. Para os agricultores, foi uma alegria, pois as sementes no campo desabrocham, o que ajuda a produzir e combater a fome e a pobreza. Para os moradores de zonas de risco e autoridades administrativas, isso constituiu uma preocupação, por causa das consequências das construções desordenadas em locais perigosos e a ausência de equipamentos técnicos para o escoamento das águas.
No capítulo da drenagem das águas pluviais, no Soyo há muito por fazer para evitar as consequências negativas que a época chuvosa pode trazer. Para prevenir os desastres, as autoridades administrativas, em colaboração com a empresa Angola LNG, promovem a limpeza das sarjetas e esgotos, de modo a facilitar o escoamento das águas pluviais. Os trabalhos estão a cargo da construtora Agrobal.
De acordo com o chefe de inspectores da Angola LNG, João Pedro Sorteado, os trabalhos desenvolvidos em todas ruas da cidade do Soyo consistem na desobstrução do sistema de esgotos, para permitir a drenagem da água das chuvas para os afluentes do rio Zaire. Para desentupir os esgotos estão a ser usadas máquinas de pressão e sucção de areia. O desentupimento facilita a passagem das águas até à praia dos Pobres e os afluentes do rio Zaire.
“A par do processo de limpeza da rede de esgotos que levamos a cabo, temos um plano de construção de valetas ao longo das vias que não dispõem de sistema de drenagem, de maneira a possibilitar o escoamento. Estamos ainda a rever o tapete asfáltico de algumas ruas com o mesmo objectivo”, acrescentou.
O início demasiado cedo das chuvas, segundo o chefe dos inspectores, pode complicar o trabalho de limpeza da rede de esgotos, mas ele acredita que dentro de dois meses as obras estejam concluídas.
O responsável da Angola LNG aconselhou a população a colaborar com as autoridades, evitando depositar o lixo em qualquer parte, sobretudo nas valetas e nas sarjetas. O lixo pode obstruir a tubagem precocemente. “Devemos manter a cidade limpa, colocando o lixo na lixeira, onde é o seu lugar e não nas ruas da cidade”, exortou João Sorteado.


Um sinal positivo

Camponeses contactados pela reportagem do Jornal de Angola afirmaram que a chuva do passado dia 25 não lhes dá garantias de colheitas promissoras, mas constitui um sinal positivo. “Nós não esperávamos que as chuvas fossem começar tão cedo este ano. Por isso, vamos preparar os campos e lançar as sementes à terra no fim de Outubro e princípio de Novembro”, disse um camponês.
Bruno Afonso, agricultor de profissão, disse ao Jornal de Angola estar já na fase conclusiva dos preparativos dos seus dois pequenos campos, onde vai lançar as sementes no momento exacto.
“As primeiras chuvas, que já começaram a cair, não significam nada para aquele que conhece os segredos da lavoura. Elas começaram cedo, mas nem sempre têm sequência que possa realmente permitir uma boa produção. Pode ser apenas a força da natureza e depois desaparecerem por muito tempo. O que se aconselha é aguardar pela segunda e terceira quedas pluviais para que penetre bem na terra e depois lançar as sementes”, acrescentou.


Autoridades sanitárias

José Pedro Cristina, chefe da Secção de Saúde Pública do Soyo, disse que as chuvas são uma alegria para todos, mas há alguns cuidados a observar, pelo facto de poderem representar também problemas para a saúde das pessoas.
Como fez saber, com a chegada das chuvas surgem também algumas doenças, com destaque para a febre tifóide, diarreias agudas, amebíases intestinais e a malária, pelo facto das águas estagnadas facilitarem a reprodução e proliferação de vírus transmissores de doenças.
Como medida profilática, segundo José Pedro Cristina, a Secção de Saúde Pública da região preparou um plano de mobilização e sensibilização da população sobre as medidas de prevenção a observar na época chuvosa.
“Vamos realizar campanhas de sensibilização em todas as localidades do município, com vista a preparar a população sobre os cuidados a observar para com as doenças que mais proliferam nesta época”, especificou.
José Cristina fez saber que, além das campanhas de informação e sensibilização das populações sobre como evitar águas paradas e não deitar o lixo ou defecar em lugares impróprios, a Secção de Saúde do Soyo vai distribuir mosquiteiros impregnados nas sedes comunais.
“A par desta medidas profiláticas, existe uma equipa de luta anti-larval que trabalha ao nível do município, com vista a destruir as larvas que se encontram nas águas paradas e nos amontoados de lixo e capim”, acrescentou.
Os técnicos de saúde, durante as campanhas que realizarem ao nível das comunas e aldeias, vão instruir os habitantes a tratar a água com lixívia. Onde não existe água canalizada, os moradores vão ser aconselhados a fervê-la sempre antes do consumo, pelo facto das cacimbas estarem sujeitas a ficar inundadas pela água das chuvas que arrastam tudo.
No capítulo da assistência médica e medicamentosa, Pedro Cristina revelou que o município está preparado para prestar assistência aos casos de malária que surgirem na região durante a presente época. “Temos fármacos anti-palúdicos, nomeadamente, o Coartem e outros antibióticos. Ao nível das comunas e aldeias, todos os postos e centros de saúde têm o apoio de enfermeiros graduados e existem medicamentos. Além do Coartem, os estojos de medicamentos essenciais que recebem para o tratamento de diversas doenças, também trazem anti-palúdicos”, acrescentou.
 

Protecção civil e bombeiros

 
Os Serviços de Protecção Civil e Bombeiros do Soyo conceberam estratégias para minorar o impacto das quedas pluviais na região, sobretudo nas zonas que têm sido mais fustigadas, como os bairros Kikudo, Paróquia e Kindombele.
O especialista de Protecção Civil e Bombeiros do Soyo Jorge Susana Joaquim disse terem elaborado um programa que começa a ser aplicado na próxima semana, consubstanciado na realização de palestras para sensibilizar os habitantes dos bairros vulneráveis da região sobre os cuidados a observar durante as chuvas.  “Os bairros do Kikudo e Paróquia são os que mais nos preocupam, por haver uma vala de drenagem de águas pluviais a céu aberto onde os moradores depositam o lixo, impedindo o escoamento das águas com normalidade sempre que chove”, acrescentou.
Para atenuar as consequências negativas das chuvas, explicou, foram contactados os serviços comunitários locais no sentido de o mais rápido possível fazer-se a limpeza de todas valas existentes, com vista a facilitar a passagem da água das chuvas e, com isso, evitar possíveis inundações de casas e o seu consequente desabamento.
“As inundações de muitos bairros resultam da falta de orientação nas construções. Os habitantes constroem em áreas proibidas pelo Estado ou em zonas onde existem linhas de passagem de águas das chuvas, como consequência surgem as cheias e destruições e, na pior das hipóteses, até mortes em muitos casos”, acrescentou.
A falta de coordenação entre a vizinhança, durante o processo de entulho e construção em várias áreas, cujos proprietários fecham as linhas de passagem das águas pluviais – referiu – é um problema sério, porque ninguém pode evitar a fúria da natureza.
Sobre os meios de trabalho, disse, a Protecção Civil dispõe de três moto-bombas prontas para ajudar no escoamento das águas pluviais em caso de inundações. No ano passado, os Serviços de Protecção Civil e Bombeiros registaram no município a destruição de 238 casas de adobe e o desalojamento de mil pessoas.    

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