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Unidade Móvel de Saúde chega ao Kwanza-Sul

Fula Martins| Kicombo

A Unidade Móvel de Medicina do Centro de Segurança e Saúde no Trabalho (CSST), destinada a efectuar exames médicos aos trabalhadores das empresas de construção civil, esteve, durante três dias, na província do Kwanza-Sul. Carla Magno, chefe de departamento de investigação, estatística, divulgação e informatização de serviços do Centro, disse ao Jornal de Angola que a deslocação a esta província teve por objectivo efectuar check-up’s aos operários e funcionários admi­nistrativos das em­presas de construção civil localizadas na cidade do Sumbe.

A Unidade Móvel de Medicina do Centro de Segurança e Saúde no Trabalho efectuou exames a trabalhadores na cidade do Sumbe
Fotografia: Fula Martins

A Unidade Móvel de Medicina do Centro de Segurança e Saúde no Trabalho (CSST), destinada a efectuar exames médicos aos trabalhadores das empresas de construção civil, esteve, durante três dias, na província do Kwanza-Sul. Carla Magno, chefe de departamento de investigação, estatística, divulgação e informatização de serviços do Centro, disse ao Jornal de Angola que a deslocação a esta província teve por objectivo efectuar check-up’s aos operários e funcionários admi­nistrativos das em­presas de construção civil localizadas na cidade do Sumbe.
Para a operação "Sumbe" foram mobilizados médicos israelitas, que estão a fazer a transferência do "know-how" a médicos angolanos. "Temos médicos, enfermeiros, farmacêuticos, técnicos de laboratório, de Raio X e de segurança e higiene no trabalho oriundos de Israel que estão a transferir o  know-how ao pessoal angolano", explicou. Carla Magno acrescentou que o check-up incluiu consultas médicas individuais e exames laboratoriais. "Avaliámos o estado clínico e psíquico dos trabalhadores e no final ficámos em condições de explicar o seu estado de saúde", disse a chefe de departamento de investigação, estatística, divulgação e informatização de serviços do CSST.
Carla Magno afirmou que durante os três dias de permanência na província do Kwanza-Sul foram realizados exames laboratoriais, de Raio X, audiometria, espirometria, VIH-Sida e vacinas contra o tétano e febre-amarela aos trabalhadores, e não foram detectados casos que precisassem de uma intervenção imediata dos especialistas. A par disso, foram realizadas diversas palestras, seminários de sensibilização sobre acidentes de trabalho, doenças profissionais, prevenção da malária e sobre os cuidados de higiene dirigidos aos trabalhadores.
A chefe de departamento de investigação do CSST explicou que a unidade atendeu 174 trabalhadores de uma empresa de construção civil e exortou as empresas que operam em Angola a seguirem o exemplo, realizando inspecções médicas regulares aos seus trabalhadores, de modo a garantir uma maior produtividade. Investir na saúde do trabalhador, segundo Carla Magno, não é perder dinheiro, antes pelo contrário, permite uma maior presença no trabalho e com a saúde acautelada. Os trabalhadores saudáveis dão sempre lucro às empresas, argumentou.

A voz dos assistidos

Os trabalhadores que foram observados congratularam-se com a presença dos técnicos de saúde.
José Alberto, carpinteiro de profissão, disse sentir-se bem com os resultados satisfatórios que recebeu. "Sinto-me pronto para o trabalho ao saber que o meu estado de saúde é bom", afirmou, acrescentando que, apesar dos fortes ruídos a que está exposto durante a sua actividade laboral, se sente motivado a trabalhar, por saber que está apto para exercer a sua actividade sem constrangimentos.
Reconheceu o esforço da empresa em levar a unidade de saúde ao Sumbe e espera que visitas do género alastrem às várias empresas de construção espalhadas pela província. "Como as empresas se preocupam que trabalhemos, também devem preocupar-se com o nosso estado de saúde”, salientou, sublinhando que o aumento da produtividade depende do bem-estar do trabalhador. "A iniciativa é louvável e espero que a façam mais vezes", concluiu. José Martins, outro trabalhador, com a categoria de motorista de pesados, afirmou que a deslocação da unidade de saúde no trabalho à província do Kwanza-Sul foi muito importante para patrões e empregados.
"Avaliar o estado clínico e psíquico dos trabalhadores é muito importante e espero, com agrado, que consultas do género aconteçam mais vezes", adiantou, acrescentando que, com os bons resultados obtidos, espera ter uma participação mais activa na empresa e no desenvolvimento do país. "Uma empresa só alcança níveis elevados de produtividade se os seus trabalhadores forem saudáveis."
José Martins lançou ainda um apelo às empresas que desconhecem a existência do centro de saúde no trabalho no sentido de procurem entrar em contacto com a mesma, para inspeccionar e controlar o estado de saúde dos seus trabalhadores.
Yolanda Manuel Encarnado referiu que iniciativas do género ajudam a conhecer melhor o estado de saúde de cada trabalhador e a prevenir as doenças no trabalho. "A vinda ao Sumbe desta unidade móvel permitiu avaliar o estado de saúde e psíquico dos trabalhadores de empresas de construção e tomar medidas preventivas, no caso daqueles aos quais foram diagnosticados problemas de saúde", salientou.
Isaura Batalha, apesar de estar em gozo de licença pré parto, referiu que se deslocou ao estaleiro onde trabalha para saber do seu estado clínico e nada melhor que efectuar os exames médicos.
A funcionária considerou que os produtos com que se trabalha nos estaleiros de empresas de construção civil são sempre susceptíveis de causar problemas de saúde ao pessoal, razão pela qual "esta unidade móvel é bem-vinda".
"Aqui na empresa todos os trabalhadores têm direito à assistência médica", explicou, mas é sempre bom ter a presença de uma unidade móvel especializada em saúde no trabalho, porque dá um diagnóstico não só do estado físico do trabalhador, como do psíquico.

Vantagens

Carla Magno realçou que uma das vantagens do CSST é garantir as condições de saúde dos empregados para o melhor desempenho da função, minimizando o surgimento de casos de doenças e acidentes no trabalho. Além disso, este tipo de acções assegura a redução do absentismo por motivo de doença, reduz os acidentes de trabalho potencialmente graves, garante funcionários mais adequados às funções que desempenham e, consequentemente, aumenta a produtividade, além de limitar os problemas legais derivados de doenças contraídas devido ao trabalho que se faz. Por outro lado, garantiu que as empresas que procuram os serviços do CSST podem sempre contar com profissionais devidamente habilitados para o atendimento clínico e laboratorial com alto padrão de qualidade.
"Contamos com profissionais e parceiros altamente qualificados para atender a todas as exigências da legislação e às necessidades das empresas", assegurou.

Parcerias

O Centro de Segurança e Saúde no Trabalho (CSST) tem celebrado contratos de medicina no trabalho com várias empresas que procuram o acompanhamento do estado de saúde dos seus trabalhadores e a prevenção de acidentes de trabalho. "Temos contratos com várias empresas, principalmente as de construção civil e petrolíferas, que procuram a nossa colaboração, não apenas na área de exames de avaliação médica, mas também para os auxiliar a melhorarem as condições de saúde dos seus trabalhadores", disse Carla Magno. O Centro de Segurança e Saúde no Trabalho é uma instituição pública com autonomia patrimonial, administrativa e financeira, tutelada pelo Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social.

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