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Via de Luanda a Benguela palco de vários acidentes

Fula Martins|

A estrada nacional 100 que liga as províncias de Luanda, Kwanza-Sul e Benguela tem sido palco de vários acidentes de viação com perdas humanas e materiais como consequência da existência de buracos, estreitamento da via, falta de sinalização e má condução dos camionistas. Cada vez mais perigosa, é preciso ter muita cautela para se chegar ileso ao destino.

A estrada nacional que liga as províncias de Luanda e Benguela tem sido palco de vários acidentes com perdas humanas e materiais
Fotografia: Fula Martins

A estrada nacional 100 que liga as províncias de Luanda, Kwanza-Sul e Benguela tem sido palco de vários acidentes de viação com perdas humanas e materiais como consequência da existência de buracos, estreitamento da via, falta de sinalização e má condução dos camionistas. Cada vez mais perigosa, é preciso ter muita cautela para se chegar ileso ao destino.
Quando menos se espera, surgem buracos onde antes se circulava à vontade, sem que as entidades competentes coloquem sinalização adequada que evite acidentes.
A reportagem do Jornal de Angola viajou pela Estrada Nacional 100 e constatou que de Luanda ao Sumbe estão a surgir vários buracos ao longo do traçado. Ainda que pequenos, tendem a aumentar devido ao grande fluxo de viaturas ligeiras e pesadas. A cada dia que passa, os buracos aumentam de tamanho e o trânsito fica mais perigoso e complicado.
Conduzir pode ser um martírio para alguns, mas com boas estradas e cumprindo as regras de trânsito, a viagem de longa distância pode ser feita com tranquilidade.
É necessário que os automobilistas estejam cientes dos perigos que podem enfrentar, especialmente nas estradas rurais e remotas. Se tiverem de viajar durante a noite, devem estar atentos, para não chocarem com os animais que pastam ao longo da estrada.
"É aconselhável circular a uma velocidade que permita controlar o veículo sempre que surja um obstáculo", referiu o condutor Laureano Nicolau.  
Outra ameaça são os veículos de grande porte, com reboques atrelados, e os camiões e autocarros que avariam ao longo da via, sem que o motorista se preocupe em colocar sinal de indicação de perigo. 
"Alguns motoristas irresponsáveis, por falta de triângulo, colocam pedras ou ramos de árvores para sinalizar a avaria e, quando a superam, retomam viagem sem retirar os sinais improvisados", acrescentou.  
Os camiões com reboque circulam a alta velocidade e as viaturas ligeiras sentem muita dificuldade em efectuar ultrapassagens, uma vez que a estrada é muito estreita. Diariamente, assiste-se a vários acidentes de viação com perda de vidas humanas e elevados custos materiais.

Ausência de sinalização

A ausência de sinais de trânsito que obriguem os automobilistas a reduzir a velocidade dos seus veículos, antes da aproximação de curvas, contracurvas, pontes e descidas são factores que também têm contribuído grandemente para os acidentes, segundo constatou o Jornal de Angola.
O sinal de trânsito, quando bem colocado, tem o efeito de aconselhar cuidado nas zonas em que acontecem muitos acidentes ou onde há vários veículos paralisados em plena faixa de rodagem.
Outro perigo das nossas vias são os maus condutores, que não respeitam os limites de velocidade e fazem ultrapassagens em lugares proibidos.

Cidadãos pedem celeridade

Os automobilistas e demais utentes da Estrada Nacional 100 pedem maior celeridade por parte do Ministério do Urbanismo e Construção, através do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA), no alargamento e manutenção do troço que liga as províncias de Luanda, Kwanza-Sul e Benguela.
O automobilista Laureano Nicolau (Manucho), ao volante de uma carrinha, pede que o alargamento e manutenção da estrada seja feito rapidamente, para que acabem os transtornos gerados pelos imprevistos. 
"Os buracos e estreitamento da via contribuem fortemente para os acidentes de viação que se registam diariamente nessa estrada", afirma, acrescentando que se deve aproveitar no máximo o período seco para efectuar obras de manutenção na estrada.
José Canga, outro automobilista que diariamente percorre a estrada Luanda/Sumbe, pediu  às autoridades para pensarem no alargamento e reabilitação daquela importante via. O condutor mostrou-se preocupado pela não indicação por parte do INEA da Estrada Nacional 100 no lote dos troços a serem adjudicada para a reabilitação e manutenção, à luz do programa de conservação e manutenção de estradas do país.

Demasiados acidentes

O camionista Francisco Guilherme afirmou que a falta de educação automobilística e o desrespeito pelo Código de Estrada concorrem para uma condução imprudente na estrada Luanda/Benguela, que se tem tornado a mais mortífera do país e que mais prejuízos tem causado às viaturas envolvidas nos acidentes.
"Outro factor é o consumo excessivo de bebidas alcoólicas por parte dos automobilistas em toda a extensão da estrada", adiantou, reconhecendo que a sinistralidade rodoviária está a causar muitos transtornos a milhares de famílias, que perdem os seus entes queridos e sofrem prejuízos materiais enormes.
Francisco Guilherme lamentou o facto de haver nas estradas condutores jovens, que julgam que o automóvel é um meio de exibição. "Os automobilistas jovens querem tirar benefício da potência das suas viaturas nas estradas esquecendo-se que a estrada tem pontos críticos, com curvas e contracurvas, buracos e zonas com arbustos altos que diminuem a visibilidade", salientou.
Na sua opinião, os agentes reguladores de trânsito devem ser chamados a redobrar as acções preventivas, no sentido de impedir um conjunto de práticas identificadas até agora, imputáveis aos automobilistas que têm contribuído para a degradação das vias, e serem mais rigorosos na penalização dos que persistirem no erro.
A DNVT aponta como principais causas da elevada sinistralidade rodoviária o excesso de velocidade, aliado ao mau estado das viaturas, ao álcool e à falta de civismo por parte dos condutores.
Angola está no topo do países que, no mundo, registam mais mortes devido a acidentes rodoviários, com uma média anual a rondar os três mil. O programa de Conservação e Manutenção de Estradas lançado em Julho pelo ministro do Urbanismo e Construção, Fernando Fonseca, na província do Kwanza-Norte, contempla a reparação e manutenção de 54 troços rodoviários, numa extensão de 3.514,3 quilómetros, mas não inclui a Estrada Nacional (EN100).

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