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Vila do Quirimbo recupera para fazer inveja

Manuel Tomás | Quirimbo

O cenário na vila do Quirimbo regista mudanças com a construção e reabilitação de infra-estruturas de impacto social. O maior destaque é a construção e restauro de escolas, centros e postos de saúde e a reparação das vias rodoviárias.

O sector da saúde na vila de Quirimbo "respira de alívio" desde que foram investidos fundos pelo governo para a construção de novos centros e postos de saúde na localidade
Fotografia: Manuel Tomás | Quirimbo

O cenário na vila do Quirimbo regista mudanças com a construção e reabilitação de infra-estruturas de impacto social. O maior destaque é a construção e restauro de escolas, centros e postos de saúde e a reparação das vias rodoviárias.
Localizada no município da Quilenda, província do Kwanza-Sul, a vila vê igualmente serem construídas casas para técnicos e a melhoria de vias secundárias e terciárias para permitir uma boa circulação de pessoas e facilitar o escoamento dos produtos do campo para os principais mercados.
Quem visita Quirimbo depara-se com estas e outras obras em curso no quadro do programa de acção do Executivo que fazem esquecer os tristes tempos de guerra. Com a dinâmica que se está a imprimir, muito cedo a região pode recuperar os níveis produtivos e contribuir para a redução da fome e pobreza.
A comuna do Quirimbo, única oficial no território do município da Quilenda, tem uma população estimada em 10.150 habitantes. Dista 35 quilómetros da sede municipal e é servida por uma estrada terraplanada, com pequenas pontes a necessitar reparação de modo a se evitar embaraços na época chuvosa que se avizinha.
Quirimbo tem potencialidades agrícolas, terras aráveis próprias para o cultivo do milho, amendoim, citrinos e especialmente o café. O “bago vermelho” fez com que as grandes empresas produtoras instaladas no Kwanza Sul, entre elas a Mário Cunha, properassem no passado com enormes plantações de cafezais.

Avanços na Educação

O administrador da comuna do Quirimbo, Adão Mário da Silva, disse à reportagem do Jornal de Angola que a educação conhece “avanços positivos”, porque já abrange todas as áreas das três “nbanzas” – a sede, Pungo e Longa Nhia (a sul). Um total de 54 professores leccionam nestas localidades.
De acordo com o administrador, a sede tem duas salas de aulas de construção definitiva que funcionam nos dois períodos lectivos. Nas restantes “nbanzas”, existem dez salas de aulas, construídas com materiais locais. Mas alguns alunos ainda recebem aulas em salas improvisadas nas capelas religiosas ou ao relento.
Ao todo, 3.120 alunos frequentam o presente ano lectivo. Ainda assim, 520 crianças em idade escolar estão fora do sistema de ensino devido a falta de professores, a maior parte nas localidades de difícil acesso, caso das aldeias Quilonga, Catalanga e Donde.
Adão Mário da Silva não precisou o número exacto de pessoas a estudar no processo de alfabetização, mas referiu que o ensino de adulto conta com seis alfabetizadores que dão o seu contributo voluntário. Frisou ainda que para o próximo ano lectivo está prevista a instalação do ensino do Primeiro Ciclo, que este ano não arrancou por falta de professores e infra-estruturas. Para garantir o ensino neste nível, são necessários 12 professores.

Alívio na Saúde

O sector da saúde “respira de alívio” desde que foram construídos novos centros de saúde na localidade, disse o administrador do Quirimbo. No passado, acrescentou, a população da sede comunal era tratada num posto de saúde de construção provisória e sem as mínimas condições de higiene.
“Hoje contamos com um centro de saúde de referência na área denominada David, outro no Mucuzo, recentemente reinaugurado. Temos um terceiro posto em reabilitação na Longa Nhia. As condições são outras”, informou.
Em termos de infra-estruturas, fármacos e outro material gastável, a comuna está minimamente bem servida, salientou Adão Mário da Silva. No entanto, há falta de técnicos para a cobertura dos postos com instalações novas, capazes de acudir a casos com menor gravidade.
A assistência sanitária é assegurada por dois técnicos de saúde, sendo um chefe do posto médico, havendo necessidade de aumentar o número e colocar um meio de transporte para levar os pacientes com gravidade para a sede municipal.

À espera do microcrédito

O administrador recorda, uma vez mais, que Quirimbo é detentora de terras férteis e conta com “uma rede hidrográfica invejável”, factores que permitem obter bons resultados na época da colheita.
Estão catalogadas 12 fazendas com palmar, duas cooperativas e 20 associações de camponeses. Mas as fazendas ainda não têm uma produção desejável devido à “descapitalização” dos proprietários. “À excepção do empresário João Jorge e Filhos, na Longa Nhia, que apostou na agricultura diversificada e tem colhido bons resultados”, ressalva.
Adão Mário da Silva espera que os camponeses venham a “beneficiar do micro-crédito agrícola, de um programa promovido pelo Banco Sol, ao qual já remeteram os seus processos, aguardando pela homologação”.
A comunidade da área de Carlongo, por iniciativa própria, apostou na horticultura, e colheu mais de seis toneladas de tomate. Mas este produto deteriorou-se por dificuldades no escoamento. Entretanto, o Governo está a reabilitar a via que vai da sede municipal à comuna, o que, se as coisas correrem bem, facilita o escoamento de produtos. O administrador pede que a reabilitação seja extensiva às restantes aldeias, porque “sem estradas não há desenvolvimento”.

Água e electricidade para breve

Para o programa “Água Para Todos” já se fez um plano de necessidades, o que leva a crer que a população da sede comunal e periferia tem proximamente água a jorrar nas torneiras, evitando o consumo de água não tratada das cacimbas e rios.
Quanto à energia eléctrica, existe um projecto que prevê o fornecimento, a partir de painéis solares, de equipamentos para iluminar a Administração Comunal, salas de aulas, postos de saúde e outras instituições públicas.
No leque de acções para o Quirimbo, a Administração Comunal colocou as necessidades mais elementares das populações: construção de um posto de saúde na “nbanza” do Pungo, outro na sede comunal, uma escola com 12 salas para o Primeiro Ciclo e outra com seis salas para o Ensino Primário. Está também a construção da Administração Comunal, da esquadra policial e residências oficiais.         

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