Economia

1,4 milhões de camponeses têm assistência do Governo

Manuel Barros | Cacuaco e Venâncio Victor | Malanje

O Governo assiste cerca de 74 por cento ou 1,474 milhões dos dois milhões de famílias camponesas envolvidas na campanha agrícola 2019-2020, durante a qual se prevê o cultivo de 5,6 milhões de hectares, anunciou o ministro da Agricultura e Florestas.

Papel da mulher rural e das famílias camponesas na produção é realçado por líderes institucionais
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro | Funda

António Assis falava no acto de abertura da campanha agrícola, realizado quarta-feira na comuna de Cambaxi, Malanje, num discurso em que também realçou a elevação dos fundos disponíveis para a produção de 0,4 por cento do total do inscrito no Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2018, para 1,57 do total preconizado para 2019.
O valor inscrito para a agricultura, pecuária e florestas representa 4,97 por cento da despesa financeira prevista no OGE em curso, o que o ministro considerou não ser ainda o desejável, pelo que são reunidas elevadas expectativas quanto ao Programa de Apoio ao Crédito (PAC), o braço financeiro do Programa de Apoio à Produção, Diversificação da Produção e Substituição das Importações ( PRODESI).
António de Assis declarou, como parte da estratégia do Ministério da Agricultura e Florestas para a campanha agrícola deste ano, o aumento da assistência técnica às explorações agrícolas das famílias, colocando a favor dos camponeses factores de produção a preços acessíveis.
As opções estratégicas incluem a incidência das prioridades sobre as províncias afectadas pela seca, com intervenções no domínio da provisão de água, alimentação para o gado, a introdução de variedades resistentes à seca e a expansão das culturas de massango e massambala para outras províncias.
“Malanje pode dar uma grande contribuição para ajudar a mitigar a situação dos nossos compatriotas que se debatem com o problema da seca, visto que aqui chove muito, há terra fértil e com pessoas com vontade de trabalhar”, afirmou o ministro para explicar a última parte da estratégia.
O objectivo é garantir o abastecimento interno e realizar o aproveitamento das oportunidades relacionadas com os mercados regional e internacional.

Mulher camponesa provê a maior parte da produção

Oitenta por cento da produção agrícola do país advêm da agricultura familiar no meio rural, sendo a mulher o principal agente de produção, declarou, ontem, a directora nacional da Política Familiar, defendendo mais apoio institucional para essa camada da população.
Santa Ernesto, que falava durante a comemoração do Dia da Mulher Rural, na Funda (Cacuaco), apelou às administrações municipais a reforçarem o apoio a programas institucionais como o de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza e apostarem mais nos direccionados às mulheres, para que possam ultrapassar as barreiras, “independentemente das questões culturais que também têm se afirmado como um empecilho para afirmação desta mulher”.
A directora secundou a ministra da Acção Social e Promoção da Mulher, Faustina Alves, que afirmou, no acto, que apesar de constituírem a maior força produtiva, as mulheres têm menos acesso ao crédito bancário, além de serem poucas as que dirigem associações ou cooperativas e de não terem titularidade das terras.
Por isso, lembrou a ministra, na abertura do ano agrícola 2017/2018, há dois anos, no município de Cachiungo, Bié, o Presidente da República, João Lourenço, anunciou a atribuição de títulos de propriedade às famílias que queiram produzir.
De salientar que o acto de comemoração foi antecedido por duas acções de capacitação, uma das quais sobre a “Alimentação nutritiva das famílias”, destinada a solucionar a questão do desperdício de alimentos, em que as mulheres aprenderam como adoptar a dieta alimentar e prevenir muitas doenças no lar.
As mulheres beneficiaram, também, de uma capacitação em “Aproveitamento dos Resíduos Sólidos”, onde foi abordada a questão da compostagem para o enriquecimento dos solos.
Participaram nas comemorações o secretário de Estado para a Saúde, Franco Mufinda, a secretária de Estado para Família e Promoção da Mulher, Ruth Mixinge, e o vice-governador de Luanda para o Sector Político e Social, Dionísio Fonseca, assim como a representante da FAO em Angola, Gherda Barreto.

 

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