Economia

240 vagões reforçam transporte de carga

Justino Victorino | Huambo

A frota dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) foi reforçada, com a chegada de 240 novos vagões de transporte de mercadorias, anunciou, quinta-feira, no Huambo, o presidente do Conselho de Administração da companhia, Luís Teixeira.

Luís Teixeira presta declarações à imprensa da deslocação efectuada ao Huambo
Fotografia: Francisco Lopes| Edições Novembro| Huambo

O líder dos CFB realçou a elevada procura pelo transporte ferroviário no percurso servido pela companhia ao longo das províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico, indicando que esse reforço deixa, ainda, um défice de 100 vagões para que se possa atender cabalmente o transporte de carga nestas regiões, que têm registado um elevado movimento de pessoas e bens, sobretudo nesta época do ano. 

“A procura nas províncias do Huambo, Bié e Moxico é muito grande e o número actual de carruagens é insuficiente. Esta situação tem criado alguns constrangimentos no embarque de passageiros e a companhia está a solicitar mais apoios no fornecimento de carruagens e peças sobressalentes para a recuperação das demais carruagens”, declarou, realçando que algumas carruagens antigas vão ser submetidas a uma profunda assistência técnica no país ou na África do Sul, para o que já há contactos de parceria com companhias do sector.
Luís Teixeira considerou serem equipamentos bastante caros e reconheceu que a situação económica da empresa não permite, de momento, a realização de grandes investimentos, apontando esforços conjuntos, com parceiros estrangeiros e alguns clientes ligados ao tráfego de mercadorias, para se conseguir um número considerável de vagões.
Os CFB oferecem entre 750 e 800 lugares por comboio, com três circulações semanais, nos dois sentidos, do Huambo ao Luena e Luau. A companhia tem 67 estações ao longo do percurso que parte do Lobito à fronteira com a República Democrática do Congo (RDC).
A frota é composta por 56 locomotivas, 48 das quais adquiridas à multinacional norte-americana General Electric Transportation e 60 carruagens.

Formação de quadros
A formação de quadros, disse, tem sido uma das apostas da administração da empresa. Os CFB têm um centro de formação no Huambo, inoperante por falta de recursos humanos. Luís Teixeira avançou que o Ministério dos Transportes está a trabalhar no sentido de adoptar um modelo mais adequado para a operação desse e dos centros a serem implantados noutras regiões.
O centro de formação do Huambo está vocacionado para formar técnicos de nível médio em todas as áreas dos transportes ferroviários e ocupa uma área de cinco mil metros quadrados, comportando dormitórios para professores e alunos, laboratórios e salas de aula.
No início de Outubro, os CFB receberam definitivamente da China Railways-20 (CR-20) a linha férrea da companhia, ao fim de dez anos de obras de reabilitação e modernização que absorveram 1,8 mil milhões de dólares de uma linha de crédito do país asiático.
A empreitada foi adjudicada pelo Governo à CR-20 em Janeiro de 2006, tendo as obras iniciado dois anos depois. Em 2015, foi inaugurado o troço Luena/Luau.
Naquela ocasião, no início de Outubro último, representantes do Estado e do empreiteiro chinês coincidiram em que a linha está apta para o transporte de mercadorias e passageiros.
As obras abarcaram 1.344 quilómetros, do Lobito ao Luau, na fronteira com a República Democrática do Congo, incluindo a reabilitação e edificação de pontes, passagens hidráulicas, estações, apeadeiros, sistemas de telecomunicações e sinalização, electricidade, água e outras infra-estruturas.
O director-geral do Instituto Nacional dos Caminhos-de-Ferro de Angola, Ottoniel Manuel, referiu que a qualidade dos projectos aprovados e os testes aos equipamentos comprovaram a sua conformidade com os requisitos internacionalmente exigidos nas operações e circulação ferroviária.

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