Economia

Abebe Aemro Selassie: “Países precisam manter o acesso aos mercados”

O director do departamento africano do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse hoje que os países vulneráveis devem manter o acesso aos mercados financeiros mesmo acedendo às iniciativas de alívio da dívida pública.

Fotografia: DR

"Os países precisam de manter o acesso aos mercados financeiros, estamos muito cientes disso", respondeu Abebe Aemro Selassie quando questionado pela Lusa sobre o impacto de uma reestruturação da dívida privada e provável descida do "rating" para esses países.

"Este é um ano excepcionalmente difícil, os países africanos não estão sozinhos na pressão que sentem, mas o que os torna únicos é não terem a capacidade de responder tão significativamente como os países desenvolvidos, por isso o apoio excepcional é uma grande ajuda", acrescentou.

Na resposta, Selassie lembrou que "primeiro o FMI pediu um alívio da dívida oficial, precisamente para não haver repercussões no acesso ao mercado pelos países", e apontou que "a adesão à Iniciativa da Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI) é uma decisão que os países soberanos podem tomar sem que isso tenha um impacto no rating dos mesmos".

Selassie argumentou que "basicamente é um acordo entre os credores e os países, tem um valor presente lí-quido neutro e serve como uma folga para este ano, porque é importante dar espaço fiscal aos países".

Sobre um acordo de reestruturação da dívida destes países com os credores privados, Selassie disse que uma renegociação seria "muito útil". Enfatizou que o FMI está "muito ciente da necessidade de manter o acesso aos mercados" e acrescentou: "O G20 não impôs como condição que os privados participassem".

Na conferência de im-prensa transmitida a partir de Washington, Abebe Se-lassie apresentou as conclusões da actualização das previsões para as economias africanas neste e no próximo ano, e explicou que a redução de 3,2% prevista para a região implica, em média, uma quebra de 5,2% no rendimento das pessoas.

Perante a necessidade de mais ajuda aos países em dificuldades, Selassie disse que a utilização dos Direitos Especiais de Saque era uma das opções em cima da mesa, e confirmou que a proposta inicial de aumento das verbas disponíveis neste instrumento, que basicamente representa as reservas externas do Fundo, foi rejeitada pelos accionistas.

"A utilização dos DES foi uma das medidas que apresentámos aos accionistas como opção para ajudar os países mais vulneráveis, mas os accionistas não concordaram com este instrumento e, como disse a nossa directora-geral, às vezes é preciso tempo para estas coisas se materializarem, por isso tivemos de trabalhar com o que tínhamos enquanto os accionistas ponderam a questão, e há discussões em curso sobre usar mais DES ou realocar os actuais", concluiu.

A nível global, o FMI piorou a previsão de crescimento para a África subsaariana, antecipando uma recessão de 3,2%, atirando quase 40 milhões de pessoas para a pobreza extrema e anulando dez anos de desenvolvimento.

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