Economia

Accionistas tentam “salvar” Mundial Seguros da falência

Isaque Lourenço

Os accionistas da A Mundial Seguros (AMUSE) têm cerca de seis meses para injectar mais de cinco mil milhões de kwanzas, equivalentes a pouco mais de oito milhões de dólares, e capitalizar a seguradora.

Previsões com subscrições de apólices de seguros também causam enormes prejuízos
Fotografia: Francisco Lopes| Edições Novembro

Actualmente, encontra-se em estado de falência técnica devido ao incumprimento dos rácios de solvência.

Fonte da empresa confirmou ao Jornal de Angola estar o Banco de Poupança de Crédito (BPC), accionista maioritário com 70 por cento dos direitos societários, em frente do processo que poderá levar a intervenção do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) na empresa.

Com isso, a A Mundial Seguros (AMUSE) passará a ser contabilizada entre os activos listados no quadro do Programa de Privatizações (PROPRIV).

Sem ser um exercício de fácil resolução, a fonte explicou estar, neste momento, a ser feito um concurso para a contratação de serviços de consultoria a quem se vai deixar a tarefa de avaliar o valor real do património da Amuse. Apurar os prejuízos, dívidas, activos, passivos, ganhos, perdas, enfim, criar-se condições para que em caso de incapacidade dos actuais sócios outros novos accionistas sejam cooptados por via dos processos de privatização e garantir-se a sobrevivência de uma empresa de enorme potencial.

A empresa de consultora a contratar vai ter um contrato de 12 meses, sendo, portanto, o período em que a avaliação

Recentemente, segundo a fonte, a Assembleia Geral da seguradora aprovou os relatórios e contas de 2013 a 2017. Desde 2015 que não se realizava este acto previsto nos estatutos.

Questionado do porquê não estar acessível a referida documentação na página de Internet da seguradora, a fonte remete à Comissão Executiva e Administração tais responsabilidades, embora reconheça ser uma obrigação de lei.

Embora aguardem pela contratação da consultoria especializada, a fonte adianta existir uma forte desconfiança entre os gestores da empresa e os accionistas de o activo valer hoje apenas metade do valor de mercado por deterioração de uns e outros bens, tangíveis e intangíveis.

Um dos "buracos" no balanço da seguradora, de acordo com a fonte, pode estar ligado aos prémios, uma vez que a seguradora contabiliza, nas suas previsões, o número de apólices emitidas num dado período como o potencial de negócio do período seguinte. Só que, nestes casos, nem sempre assim ocorre, pois os tomadores de seguros podem não os renovar.

Ainda para apoiar o processo de redinamização da seguradora Amuse, os gestores do Banco de Poupança e Crédito, segundo avançou a fonte, pretendem colocar todas as agências pelos país no processo de venda de produtos da seguradora, desde o automóvel a outros demais disponíveis no portfólio.

A Mundial Seguros foi constituída no dia 7 de Fevereiro de 2006, ao abrigo do diploma legal de 15 de Março deste ano, e foi licenciada pelo ministro das Finanças, por intermédio do Instituto de Supervisão de Seguros, a 6 de Junho de 2006.

No início deste ano, o mercado de seguros era composto de 27 operadoras. Em face às exigências da Arseg, nos últimos tempos, ao menos três seguradoras, só este ano, perderam as respectivas autorizações. Trata-se das Mandume Seguros e a Glinn Seguros, ambas por caducidade da licença, além da MEU Seguros, por revogação da licença.

A Arseg leva a cabo uma avaliação integral da qualidade dos activos das seguradoras angolanas.

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