Economia

Activos na Unitel e Banco Económico subsistem às privatizações

André dos Anjos

A Sonangol, uma das accionistas da Unitel, afastou ontem a hipótese de alienar, por enquanto, a sua participação naquela empresa de telefonia móvel, que subiu de 25 para 50 por cento, com a aquisição, em Janeiro, da PT ventures, sociedade de direito português, anteriormente detida pela brasileira OI e que integrava a estrutura accionista da maior companhia de telecomunicações angolana.

A informação foi ontem avançada, em Luanda, em conferência de imprensa, pelo presidente do Conselho de Administração da petrolífera pública, Gaspar Martins, que justificou a medida com a necessidade de guardar o negócio para “condições mais atractivas”.

O anúncio acontece numa altura em que, por razões estratégicas, a Sonangol procede à privatização de activos que considera periféricos ou distantes do seu objecto social, questão, aliás, levantada por um jornalista. Para o Conselho de Administração daquela empresa, não há nenhuma contradição entre a pretensão de se livrar de um ou outro activo e a adesão a novos negócios ou a consolidação de posições anteriores, desde que se mostrem rentáveis.
É na senda desta estratégia, de acordo com Gaspar Martins, que, face à incapacidade de um dos accionistas do Banco Económico acompanhar os esforços de aumento de capital a que estavam obrigados os sócios, que a Sonangol adquiriu a quota que aquele detinha, elevando a sua participação de 39 para70 por cento no capital.
Trata-se, como fez questão de sublinhar, da Lektron, que, tendo perdido as acções a favor da Sonangol, fez com que a petrolífera se tornasse sócia maioritária do Banco Económico, ex-BESA.
No quadro do Programa de Privatizações de Participações e Activos do Estado, uma iniciativa alinhada ao Plano Nacional de Desenvolvimento 2018-2022, que tem por objectivo reduzir a participação do Estado no processo produtivo, depois de já ter alienado alguns activos, em Portugal e Angola, a Sonangol tem, em fase de preparação, lançamento e de negociações, outros activos por alienar.

Queda na produção
Na conferência de imprensa, inserida nas celebrações do 44º aniversário da empresa, assinalado na terça-feira, Gaspar Martins revelou que nos blocos operados pela Sonangol, em relação a 2018, a produção caiu 32 por cento em 2019, tendo passado de 14.001 para 9.458 barris por dia.
Situação inversa, embora em menor proporção, referiu, ocorreu nos blocos não operados directamente pela empresa, que registaram um aumento de 1, 8 por cento, ao sair de 224.406 para 228.413 barris por dia.
Para o período 2020-2027, como operadora, salientou, a Sonangol quer passar de uma quota de produção de dois para 10 por cento do total de crude produzido no país. As metas incluem a redução dos custos de produção para 15 dólares por barril, o alargamento da capacidade de armazenamento para 900 mil metros cúbicos e a conquista do mercado regional.
Para a concretização destes objectivos, adiantou, foi criada a Sona Drill, uma participada para operações de sondagem, com 50 por cento dos interesses detidos pela Sonangol e o restante pela Seadrill.
Ainda para melhorar os níveis de produção, a empresa procedeu à contratação de dois navios sonda, encontrando-se já um, o “Sonangol Libongos”, a operar no Bloco 15/06. O outro, designado “Sonangol Quenguela”, chega ao país dentro em breve.

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