Economia

África perde 30 mil milhões e quer perdão total da dívida

Os ministros das Finanças africanos alertaram, ontem, que o continente pode levar até três anos a recuperar dos efeitos da pandemia e defenderam um perdão de toda a dívida, e para todos os países, durante aquele período.

Secretária executiva da UNECA orientou a reunião
Fotografia: DR

No segundo encontro dos ministros das Finanças africanos, liderado pela secretária executiva da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), Vera Son-
gwe, os governantes defenderam que o continente “está a enfrentar um profundo e sincronizado abrandamento económico e que a recuperação pode demorar até três anos”.
Vera Swonge disse que o continente já perdeu quase 30 mil milhões de dólares devido aos efeitos da pandemia do Covid-19. Citada pela agência de notícias espanhola, Efe, Vera Swonge disse que o continente perdeu receitas no valor de 29 mil milhões de dólares, devido à queda dos preços do petróleo e ao impacto das medidas restritivas tomadas um pouco por todo o mundo para tentar conter a propagação da pandemia.

Foco na saúde

No comunicado de imprensa que dá conta das conclusões da reunião, os ministros concordaram que “o foco imediato deve permanecer na frente humanitária e de saúde” e apontaram a necessidade de “continuar a alertar as pessoas sobre a importância dos testes e do distanciamento social”.
Além da saúde, os ministros africanos insistiram na necessidade de haver um perdão da dívida, mas alargaram o pedido a todo o tipo de dívida e a todos os países do continente, du-rante os próximos três anos, ampliando, assim, a proposta feita na semana passada.
“Os ministros pediram um alívio da dívida por parte dos parceiros bilaterais, multilaterais e comerciais com o apoio de instituições financeiras multilaterais e bilaterais, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a União Europeia, para permitir que os países africanos garantam a margem orçamental de que precisam para lidar com a crise do Covid-19″, lê-se no comunicado que dá conta das decisões da segunda reunião, feita à distância, na qual alguns ministros aparecem a usar máscara.
Este pedido sobre a dívida, salientam, “deve ser para toda a África e feito de forma colaborativa e coordenada, através da criação de um veículo financeiro especial que lide com as obrigações da dívida soberana”.
As quedas nas receitas da exploração e exportação de matérias-primas, em conjunto com o aumento do custo das importações estão a aumentar a pressão sobre os orçamentos, através da inflação e da taxa de câmbio, argumentam os governantes africanos, defendendo que a proposta inicial de um ano de alívio de dívida não é suficiente.
“Dado que a economia global entrou num período sincronizado de abrandamento, com a recuperação dever acontecer só dentro de 24 a 36 meses, os parceiros para o desenvolvimento devem considerar um alívio financeiro e um perdão dos juros durante dois a três anos para todos os países africanos, sejam de baixo ou de médio rendimento”, escrevem os governantes.
Defendendo o fim da proibição de exportações de produtos médicos, decretada por 54 países a nível mundial, os ministros das Finanças africanos pedem apoio para o sector privado e defendem que o fecho das fronteiras não deve impedir a assistência humanitária, chamando ainda a atenção para as enormes perdas que as companhias aéreas enfrentam de-
vido às medidas de restrição da circulação.
“Este é um sector importante na criação de emprego para milhões de africanos e tem de ser protegido”, sublinham, anunciando que será feita uma reunião dos ministros dos países mais afectados pelas perdas no turismo e nos transportes.

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