Economia

Agência de classificação mantém nota de Angola

A agência de “rating” Standard & Poors anunciou uma reavaliação da nota de dívida angolana, mantém a classificação B-/B - graus de não investimento -, com perspectiva estável, a mesma de Agosto do ano passado.

Esforços de estabilização macroeconómica anunciados pelo Executivo são valorizados pelas agências de notação
Fotografia: Kindala Manuel|Edições Novembro

Uma nota enviada ontem ao Jornal de Angola, pelo Ministério das Finanças, justifica a classificação com o aumento acentuado do “sto-ck” da dívida pública em 2017, algo que tende a continuar em 2018, como resultado de défices fiscais consi-
deráveis e da depreciação da moeda.
O documento sublinha que a agência valoriza o facto do Executivo anunciar recentemente um conjunto de re-formas no Programa de Es-
tabilização Macroeconómica, suportadas no Orçamento Geral do Estado para 2018, com foco no plano de consolidação fiscal, flexibilização da taxa de câmbio, melhoria do ambiente de negócios e da estratégia de diversificação económica.
A Standard & Poors considera nestes termos, a “convicção” que “a acumulação da dívida pública possa diminuir significativamente até 2021”.
Ao explicar a perspectiva estável, a Standard & Poors afirma a expectativa de que o crescimento económico vá acelerar, o que  contrapõe os riscos de que a posição da dívida líquida do Governo se deteriore além do esperado  nos próximos 12 meses, afirma a nota.
“Há a convicção de que a situação poderá melhorar, se as reformas económicas levarem a melhorias significativas em termos de governação e taxas de crescimento económico muito superiores às registadas actualmente”, lê-se no documento em que o Ministério das Finanças transcreve a comunicação da agência de notação.
A Standard & Poors ad-verte para o surgimento de outros riscos se a dinâmica da dívida permanecer, de-vido às desvalorizações mais acentuadas ou aos défices fiscais que permaneçam à volta dos 5,00 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), embora, essa não seja a expectativa.
Os indicadores da Standard & Poors apontam para o crescimento do PIB, na ordem dos 2,00 por cento em 2018, com melhoria e estabilidade entre 2019-2021, altura em que se prevê que o PIB de Angola deve situar-se nos 3,00 por cento.
A nota do Ministério das Finanças reafirma “o empenho do Governo nas reformas estruturais em curso, que incluem a estabilização do sector bancário e a privatização de algumas empresas públicas, para que a economia recupere robustez e registe melhores taxas de crescimento, fundamentais para a melhoria das condições de vida da população”.

Ao contrário da Moody’s
A avaliação da Standard & Poors secunda a da Moody’s, que na sexta-feira anunciou  manter sob vigilância a nota de dívida soberana de Angola, decisão que inclui um eventual corte do “rating” para B2, além da manutenção da perspectiva em “Not Prime”, o quinto de 11 graus de não investimento.
O Ministério das Finanças considera através de nota,  que a decisão da Moody´s é anunciada e que a classificação é resultado da deterioração da posição fiscal, incluindo o agravamento das necessidades brutas de financiamento, face às expectativas de Outubro que conduziram a notação do risco soberano para B2, assim como a rápida depreciação cambial devida à introdução do novo regime cambial.
O documento ressalva e declara que a Moody´s acredita no anunciado esforço do plano de consolidação fiscal do Governo e nos benefícios do novo regime cambial.
Note-se que as obrigações cotadas em “B,” são consideradas especulativas e sujeitas à elevado risco, enquanto a classificação NP não se enquadra em nenhuma das três categorias Prime (P), que identificam capacidade superior, forte ou aceitável de reembolsar dívidas de curto prazo.

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