Economia

Agricultura familiar foi definida como estratégia

Elautério Silipuleni | Ondjiva

O ministro da Agricultura e Florestas, António Assis, apontou ontem, em Ondjiva, a elevação do papel da agricultura familiar como um dos traços relevantes da sua administração, por ocupar um número significativo de populares, estabilizar as famílias e garantir a segurança alimentar no país.

António Assis revela aposta em meios para dar expressão económica e sustentável à produção
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

Falando na abertura do 2º Conselho Consultivo Alargado do Ministério da Agricultura e Florestas, que é realizado durante três dias, em Ondjiva, para formular uma estratégia de segurança alimentar assente no crescimento da produção interna, o ministro realçou a necessidade da substituição da importação de cereais e outros produtos agrícolas.
A agricultura familiar, declarou António Assis, “constitui a nossa primeira e mais importante prioridade” para aumentar a produção interna e garantir a segurança alimentar, definindo a actividade como aquela exercida por “famílias angolanas e não só.”
O ministro insistiu na necessidade da introdução da ciência e do conhecimento no cultivo da terra e na criação de gado, por forma a dar expressão “económica, viável e sustentável” à produção agropecuária.
“É por isso que defendemos a agricultura familiar: os grandes, pequenos e micro produtores, todos juntos, cada um na sua dimensão, trabalhando para o engrandecimento do povo angolano”, salientou.O ministro da Agricultura e Florestas caracterizou o quadro do sector pela necessidade de substituição das importações e os baixos índices de produção, oferta irregular e fraca qualidade comercial da produção agropecuária nacional.
António Assis tranquilizou os produtores, anunciando um cenário de substituição das importações, susceptível de gerar poupança que pode ser investida em projectos da agricultura familiar, caracterizados por absorverem reduzidos capitais.

Soluções para o Cunene

O governador do Cunene, Vigílio Tyova, solicitou, na abertura do encontro, que especialistas do Ministério da Agricultara e Florestas encontrem soluções adequadas para que a produção agrícola e animal na província não tenha uma excessiva dependência das chuvas.
“Estas soluções podem reduzir os elevados índices de transumância na província do Cunene, desde que se resolva o problema de água para as pessoas, animais e para agricultura”, referiu.
Vigílio Tyova considerou a Conselho Consultivo importante, pelo carácter de urgência com que define estratégias de produção, distribuição e consumo de alimentos, “tendo em vista a erradicação da fome ainda muito vivida por grande parte da população, sobretudo do Cunene.”
A província, realçou, tem solos para prática da agricultura em grande escala, sendo os municípios de Ombadja e Cuvelai os que oferecem melhores condições e potencial, atendendo à sua localização, junto das bacias hidrográficas dos rios Cunene e Cuvelai.
O 2º Conselho Consultivo do Ministério da Agricultura e Florestas, que é realizado sob o lema “Desafios da produção agropecuária e florestal, como garantia da segurança alimentar”, discute assuntos ligados ao sector agrário no Cunene, Programa de Apoio ao Crédito (PAC) e a reestruturação do Fundo de Desenvolvimento Agrário (Fada).
Outras abordagens estão relacionadas com o recenseamento agropecuário e pescas, os desafios da fiscalização florestal e da fauna, bem como a reintegração dos perímetros florestais à tutela do ministério.
O estudo do problema da seca na região sudoeste angolano, processo de desconcentração administrativa e os desafios do sector no âmbito das autarquias, assim como a implementação do IVA no sector agrário são também temas em discussão no conselho.

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