Economia

Agrikuvango espera colheita de três mil toneladas de milho

Arão Martins | Lubango

Cerca de três mil toneladas de milho são colhidas a partir de Maio no projecto Agrikuvango, implantado desde 2017, pelo grupo empresarial RTK, na localidade da Mema, no Cuvango, leste da Huíla que, graças à instalação de um sistema de regadio, passa a ter duas colheitas por ano.

Sistema de regadio por pivôs permite à fazenda obter duas colheitas, prevendo uma produção de 600 mil toneladas
Fotografia: Arão Martins | Cuvango | EDIÇÕES NOVEMBRO

O administrador do projecto, Rui Kaposse, disse à imprensa que, numa primeira fase, foram cultivados 300 hectares. Com a instalação, no ano passado, dos primeiros 12 sistemas de rega por pivôs numa área total de 600 hectares já desmatados, prevêem-se colheitas maiores já a partir desta campanha agrícola.
A tecnologia disponível no projecto agrícola, com mais de cinco mil hectares, permite fazer duas culturas anuais, com uma colheita global de cerca de seis mil toneladas de milho.
Na primeira fase, que vai culminar com a colheita de milho no mês de Maio, foram criados 250 postos de trabalho directos, mas prevê-se atingir 450 até ao final deste ano, anunciou o gestor do projecto, destacando a aposta da Agrikuvango na redução da importação de bens agrícolas para o mercado nacional.
“Essa produção destina-se, sobretudo, às províncias da Huíla, Namibe, Cunene e Cuando Cubango, mas, também,  para o país de uma forma geral, acentuou Rui Kaposse, referindo que pretende-se garantir a rentabilidade do projecto com o uso racional dos recursos naturais e de técnicas de produção modernas.
O administrador da Agrikuvango garantiu que, dentro de quatro anos, em 2022, a implantação do projecto estará completa. Este ano, arranca o cultivo de arroz (orizicultura) com a preparação de mil hectares para a produção por alagamento, a instalação de silos adicionais de armazenamento e uma unidade de descasque.

Centro logístico

O ano de 2022 também se afigura importante para o Projecto Agrikuvango, por ser a altura em que se acentuará a diversificação das culturas com a produção de trigo e ginguba, segundo Rui Kaposse. Só para a ginguba, serão destinados 750 hectares para uma colheita estimada de duas mil toneladas.
Com infra-estruturas modernas, o Agrikuvango, segundo o seu promotor, está preparado para ajudar os camponeses e pequenos agricultores a escoarem a produção para o circuito comercial e  industrial.
A estratégia é a de colocar o projecto a funcionar como uma empresa âncora, servindo de centro logístico. Os números nesse domínio apontam para a colocação por ano no mercado, de 97.500 toneladas de milho, 78 mil toneladas de arroz, 117 mil de trigo e mais de 33 mil de amendoim.
À Agrikuvango juntam-se outras infra-estruturas de apoio à produção: na Matala, foi montado um silo com capacidade para 12 mil toneladas, outro com a mesma capacidade em Caconda, um de 2.300 na Vila Branca (Caluquembe) e dois de mil no Cuvango.

Apoio associativo
O presidente da Associação Agro-Pecuária, Comercial e Industrial da Huíla (AAPCIL), Paulo Gaspar, visitou sexta-feira o projecto em companhia de responsáveis de instituições bancárias com operações naquela província, e reconheceu o seu potencial para aumentar a oferta de bens alimentares no mercado nacional e a diminuição das importações.
“O projecto é uma iniciativa privada, mas tem o pendor de contribuir para o programa de diversificação económica e reduzir a fome e a pobreza no meio rural”, sublinhou Paulo Gaspar em declarações à imprensa, defendendo “maior atenção” para que a Huíla continue a afirmar-se como celeiro de referência de Angola.
“Estamos a trabalhar para ajudar o Governo a compreender o que os empresários, por sua conta e risco, já fizeram. E ficamos com boa impressão da vontade demonstrada pelo empresário que está a implementar o projecto Agrikuvango”, declarou o líder da AAPCIL.

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