Economia

AIA advertiu o BNA sobre a magnitude da depreciação

Cristóvão Neto

A Associação Industrial de Angola (AIA) considera que uma depreciação do kwanza situada entre 30 e 40 por cento da taxa de câmbio de Janeiro do ano passado seria suficiente para defender a produção nacional e o emprego, revelando ter aconselhado o BNA nesse sentido.

AIA considera que reforma cambial excedeu o necessário para defender as empresas
Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

Ontem, quando o presidente da AIA, José Severino, prestou estas declarações ao Jornal de Angola, o kwanza tinha acumulado perdas de 48,4 e de 47,9 por cento face à taxa de câmbio do dólar e do euro anterior ao início da reforma cambial iniciada em Janeiro do ano passado.
“Assim ficamos dobrados”, declarou José Severino referindo à evolução da reforma que, no espaço de 13 meses, elevou a taxa de câmbio de 165,9 kwanzas por dólar e 185,4 por euro para, respectivamente, 314,7 e 355,5 na sexta-feira.
O presidente da AIA afirma que, depois das decisões sobre o câmbio terem superado as projecções da AIA, as medidas para proteger a produção e o emprego devem passar, agora, por uma componente aduaneira, numa combinação em que os importadores sejam obrigados a comprar percentagens crescentes de produtos nacionais para obterem autorização para as aquisições no exterior e seja aplicada “uma pequena taxa” sobre a maioria dos bens da cesta básica.
José Severino estima que “estes dois instrumentos” têm potencial para reduzir a pressão sobre as divisas destinadas à aquisição de bens de consumo e materiais de construção no estrangeiro, bem como de valorizar o kwanza e deixar maior margem para a importação de matéria-prima para a indústria e insumos para a agricultura e pescas.
Se as receitas de eventuais taxas aduaneiras sobre os produtos da cesta básica e a carne forem aplicadas sobre programas de apoio directo à produção nesses domínios em adição às verbas do Orçamento Geral do Estado, o presidente da AIA prevê um crescimento da oferta interna e do emprego de dois dígitos.
Na sexta-feira, na palestra regional sobre as “Medidas de Apoio ao Aumento da Produção Nacional” realizada no Lubango, o ministro da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca, proferiu declarações que deixam subjacente uma inclinação do Governo para impor taxas sobre os bens da cesta básica, no quadro de uma revisão da Pauta Aduaneira.
Esta coincidência entre as afirmações do presidente da AIA e as do Governo é parcialmente acrescida com o período de dois meses de relativa estabilidade da taxa de câmbio, largo para os padrões da reforma cambial, reflectindo, também, o que a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse em Dezembro ao Jornal de Angola, em Luanda, quando avançou a informação de que o BNA espera que a reforma cambial fique concluída até este mês de Fevereiro.
Em meados do ano passado, o governador do BNA, José de Lima Massano, afirmou que, depois da flexibilização da taxa de câmbio, os rumos da reforma estavam não para o aprofundamento da depreciação, mas para encontrar novos aportes de divisas no mercado nacional.

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