Economia

Analistas alteram previsões devido à abertura económica

A abertura económica iniciada pelo Executivo nos sectores das telecomunicações e petróleos pode levar a unidade de estudos da revista “The Economist” a rever em alta as perspectivas de crescimento económico este e no próximo ano.

Unidade britânica de estudos preconiza um crescimento mais acelerado depois de o ministro das Telecomunicações anunciar a abertura do mercado
Fotografia: Contreiras Pipas | Edições Novembro

A Economist Intelligence Unit (EIU)  preconiza um crescimento mais acelerado depois de o ministro das Telecomunicações, José Carvalho da Rocha, ter anunciado, há duas semanas, a abertura de um concurso internacional para atribuição de uma licença a um quarto operador, a par da privatização de 45 por cento da Angola Telecom.
A unidade de estudos da “Economist” indicou como provável uma revisão das suas previsões de crescimento económico depois desse anúncio, que considera “um passo potencialmente significativo para melhorar o ambiente geral” de negócios.
A Economist Intelligence Unit prevê actualmente um crescimento de 2,7 por cento em 2017, que deverá abrandar para 2,4 em 2018, enquanto o Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento de apenas 1,5 este ano, depois de no ano passado, de acordo com estatísticas oficiais, a economia angolana ter estagnado.
A Economist Intelligence Unit afirma no seu mais recente relatório sobre Angola que deverá haver “interesse significativo no concurso” para o novo operador, dado o potencial do mercado, e que maior concorrência entre operadores deve  levar a serviços de telecomunicações “melhores e mais baratos”, um “desenvolvimento positivo para o sector privado emergente do país e para os esforços no sentido de diversificar a economia do país, evitando a dependência em relação ao petróleo.”
O boletim “Africa Monitor Intelligence” disse, por seu turno, que a abertura no sector das telecomunicações é vista também entre investidores “como teste à capacidade do novo Governo quanto à resolução de constrangimentos à actividade empresarial”.

Expansão no petróleo
A curto e médio prazos, adianta o “Africa Monitor Intelligence”, o sector do petróleo mantém-se como o “motor” da economia e “foi aquele em que os investidores reagiram de forma mais rápida às alterações perspectivadas”, nomeadamente um novo modelo para o sector, preconizado pela nova administração da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol).
A reacção envolveu, no espaço de duas semanas, a assinatura de dois acordos pela Sonangol, num caso com a petrolífera italiana ENI, para produção do Bloco Cabinda Norte e a colaboração no desenvolvimento de projectos de gás natural, e, no outro, com a francesa Total, para exploração do Bloco 48, em águas ultra-profundas, desenvolvimento do Bloco 17 e a criação de uma empresa em regime de parceria, em partes iguais, para operar na distribuição de combustíveis refinados.
Este acordo prevê a possibilidade de a parceria incluir a importação de produtos refinados, após a liberalização deste mercado, alargando a colaboração da empresa a todo o ciclo dos combustíveis, e possivelmente abrindo caminho à participação da Total no projecto da nova refinaria em Angola, que o Presidente da República, João Lourenço, pretende retomar, por forma a acabar com o défice de capacidade produtiva. Os reflexos económicos do novo ciclo político levaram também a consultora Eurasia a elevar a previsão da evolução de Angola para “positiva”, em comunicado divulgado recentemente.
A taxa da crescimento económico prevista no Orçamento Geral de Estado (OGE) de 2018 é de 4,9 por cento, declarou sábado o ministro das Finanças à Rádio Nacional de Angola (RNA). Archer Mangueira disse  que a  expansão de 2018 é superior à calculada para 2017, de 1,1 por cento, e considerou que 2017 e   2016 “foram absolutamente nulos em termos de crescimento económico”.
O ministro disse que no próximo ano, o sector do petróleo e do gás cresce 6,1 por cento e o não-petrolífero 4,4,  o que caracterizou como “optimismo”, mas disse ser justificado por projectos vitalizadores da economia programados para o período.

Produção Industrial com queda acentuada no primeiro trimestre

O Índice de Produção Industrial (IPI) registou, no primeiro trimestre, uma variação negativa de 9,9 por cento em relação ao mesmo período de 2016, influenciado pela diminuição de 18,2 por cento da actividade de “Captação, Tratamento e Distribuição de Água e Saneamento”, referem dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
O relatório do Índice de Produção Industrial relativo ao primeiro trimestre acrescenta que, no período, a actividade da “Indústria Transformadora” caiu 12,2 por cento, a “Indústria extractiva” em 9,2 por cento e a “Produção e Distribuição de Electricidade, Gás e Vapor” 2,3 por cento.
Durante o primeiro trimestre, prossegue o documento, observou-se uma variação negativa na actividade industrial de 0,6 por cento frente ao quarto trimestre de 2016, em resultado da baixa na “Indústria Transformadora” com 8,2 por cento, “Produção e Distribuição de Electricidade, Gás e Vapor”  5,7 por cento e “Indústria Extractiva” 0,6 por cento.
A Secção de “Captação, Tratamento e Distribuição de Água e Saneamento” foi a que registou variação trimestral positiva de 2,2 por cento.
O Índice de Pessoas ao Serviço durante o primeiro trimestre registou um decréscimo de 9,2 por cento com relação ao mesmo período de 2016 e de 1,6 por cento frente aos três últimos meses do ano.
O Índice das Horas Trabalhadas registou no período uma variação homóloga negativa de 9,4 por cento e uma variação trimestral negativa de 2,4 por cento, acrescentam os números do INE consultados ontem pelo Jornal de Angola.
O relatório afirma que  a produção de Bens de Consumo teve maior decréscimo que no I trimestre de 2016, com variação de 11,5 por cento.

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