Economia

Angola aposta em mais conteúdo local no sector

Natacha Roberto

O ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, declarou ontem como aposta do Executivo, a elevação da participação do conteúdo local (a introdução de recursos humanos, capitais e conhecimentos nacionais) no sector dos hidrocarbonetos, algo para o que existe um cronograma.

Ministro dos Recursos Minerais e Petróleos discursa na abertura da conferência
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Diamantino de Azevedo, que falava à imprensa no final de uma visita ao stand de produtos e serviços da Conferência Angola Petróleo e Gás 2019, que encerrou ontem, considerou crucial a promoção do conteúdo local para aumentar a quota de participação de recursos nacionais no sector. 

O ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, as empresas nacionais devem beneficiar, na mesma medida que os seus parceiros internacionais, das oportunidades de negócios proporcionadas pelo ambiente de negócios instituído, que se afigura mais favorável aos novos investidores.
Dados disponíveis indicam que as empresas nacionais apenas participam com uma quota de 10 por cento do conteúdo local da indústria de exploração de petróleo e gás, em Angola.
Entre 2013 e 2014, dizem os números, a contribuição das empresas nacionais no conteúdo local atingiu o valor de 3,5 mil milhões de dólares, sendo que 2014 foi o período mais alto da participação das empresas nacionais no sector, devido ao elevado nível de facturação e “know how”.
De acordo com Diamantino Azevedo, o Plano de Regeneração adoptado pela Sonangol vai garantir que a companhia registe melhorias significativas na prestação de serviços em Angola. “Acredito que a melhoria da Sonangol passa também por mudanças que permitam que os funcionários ajudem de forma sustentável a tornar a empresa rentável para economia”, disse.
O responsável considerou que a estratégia adoptada pela Sonangol vai transformar a companhia angolana numa verdadeira empresa de petróleo virada para o mercado.
O ministro disse esperar, também, que o sistema financeiro possa dar suporte às empresas petrolíferas para que o conteúdo local se reflicta em empresas competitivas e eficientes e contribua para o aumento da sua quota de participação.
Para o ministro, o evento, que reuniu pelo menos 1700 participantes, demonstra a importância que o Executivo angolano confere à criação de oportunidades para empreendedores locais e para que todos possam intervir no sector de petróleo e gás em Angola.
Durante os trabalhos, além da abordagem dos temas relacionados com a cadeia de valores da indústria do petróleo e gás, foram feitos anúncios de licitação de blocos e assinatura de acordos com relevância para o sector.
A conferência acontece numa altura em que estão em curso reformas profundas no sector do petróleo e gás iniciadas em 2017, o que motivou o Executivo a apoiar a conferência promovida pela organização continental África Oil and Power.
Na quarta-feira, a Agência Nacional de Petróleo e Gás e Biocombustíveis (ANPG) e a norte-americana ExxonMobil assinaram, em Luanda, um acordo que prolonga a licença de produção no Bloco 15 até 31 de Dezembro de 2032.
O acordo foi assinado no âmbito da realização da Conferência Angola Petróleo e Gás por Paulino Jerónimo, presidente da ANPG, e por Andre Kostelnik, director-geral da Esso Angola e da Exxon Mobil para os negócios em Angola.
O documento vai dar origem a uma Adenda ao Contrato de Partilha de Produção que integrará no grupo empreiteiro a Sonangol P&P, com 10 por cento de capital, e que prevê a produção adicional de 40 mil barris de petróleo por dia.
Em simultâneo, gera cerca de mil postos de trabalho com a implementação de um novo programa de perfuração e da instalação de novas tecnologias que visam aumentar a capacidade das linhas de fluxo submarino existentes.
Recorde-se que a licença de produção anteriormente assinada era válida até 2026m mas a ExxonMobil propôs à concessionária nacional a extensão do contrato, prevendo ganhos consideráveis para ambas as partes.

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