Economia

Angola aposta no restabelecimento da confiança dos investidores

João Dias

O ministro de Estado do Desenvolvimento Económio e Social, Manuel Nunes Júnior, traçou o panorama sobre o que deve ser feito e está a ser feito para que a indústria do turismo seja colocada numa “trajectória ascendente” e se abandone a “velha economia dependente do petróleo”.

Fórum Mundial do Turismo encerra, amanhã, no Centro de Convenções de Talatona, e junta empresários de vários continentes
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

No painel sobre “Ambiente de Negócios e Oportunidades de Investimento”, no Fórum Mundial do Turismo, que termina hoje, Manuel Júnior lembrou que o petróleo representa ainda 90 por cento das exportações de Angola e 70 por cento das receitas fiscais. Em toda a intervenção, Manuel Nunes Júnior deixou patente que a confiança favorece a atracção do investimento, e que, por isso, criar condições para o seu ressurgimento é uma tarefa da qual o Executivo não abre mão.
“Confiança é, hoje, elemento fundamental para fazer negócio e investimento”, insistiu Manuel Nunes Júnior, que falou sobre as várias medidas do Executivo para a restauração do que considera “elemento fundamental para os actuais desafios de Angola: o crescimento económico”.
Ao tecer considerações sobre a confiança, o ministro de Estado lembrou que o país está a trabalhar para evitar mais défices fiscais como os gerados, no essencial, pela crise económica e financeira de 2014, resultante da baixa do preço do barril de petróleo no mercado internacional.
Manuel Nunes Júnior falou, também, do endividamento, que passou dos 30 por cento, em 2013, para mais de 80 por cento do PIB em 2018. Com as medidas tomadas pelo Executivo, disse, a economia angolana registou um superávit de 2.2 por cento.
Para este e os próximos anos, o Executivo pretende evitar mais défices fiscais. No ano em curso, a economia já está sem défice.
As medidas tomadas para restabelecer a confiança dos investidores, disse, conduziram a uma tendência decrescente da taxa de inflação e à normalização do mercado cambial , com a redução da diferença entre o mercado formal e paralelo.
“Em Janeiro de 2018 havia entre o mercado paralelo e o formal um diferencial de 150 por cento. Hoje, o diferencial caiu para 20 por cento”, assinalou o ministro de Estado, lembrando que as medidas macro-económicas permitiram a criação, pela primeira vez, de uma Lei da Concorrência, afastando os monopólios e oligopólios.
A certeza jurídica é, para o Executivo, essencial no ressurgimento da confiança do investidor no mercado angolano. Por isso, Manuel Nunes Júnior falou da necessidade de se criar em Angola um verdadeiro Estado de Direito, no qual a lei seja aplicada de forma objectiva e igual para todos. Além disso, lembrou, o país está a simplificar e a modernizar a emissão de vistos e criou o visto do investidor, que permite a empresários permanecer durante três anos ininterruptos em Angola.

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