Economia

Angola assina acordo com o Tesouro norte-americano

Cristóvão Neto | Washington

O Ministério das Finanças e o seu congénere norte-americano, o Departamento do Tesouro, assinaram em Washington um acordo de assistência técnica à Unidade de Informação Financeira (UIF) e outros órgãos que no país intervêm no combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, soube ontem o Jornal de Angola.

Protocolo foi rubricado no Departamento do Tesouro dos Estados Unidos da América
Fotografia: DR

A directora da UIF revelou que o acordo, subscrito pelo ministro das Finanças, Archer Mangueira, e o sub-secretário do Departamento do Tesouro, William Larry McDonald, na terça-feira, em Washington, preconiza a prevenção e repressão de crimes de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo (CBC/CFT).
Prevê, ainda, a abertura em Luanda de um Escritório de Assistência Técnica (OTA, sigla inglesa), com a missão de aperfeiçoar o regime preventivo e dos organismos envolvidos na aplicação da lei CBC/CFT, bem como a capacidade técnica da UIF, segundo Francisca de Brito.
O documento afirma que, nos termos do acordo, o OTA é aberto por períodos renováveis de um ano, tendo já o financiamento disponível para 2019.
A delegação angolana integra, além do ministro das Finanças, o da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca, o governador do BNA e a directora da Unidade de Informação Financeira (UIF), José de Lima Massano e Francisca de Brito, respectivamente.
Quando esteve em Luanda, em meados de Março, o subsecretário de Estado norte-americano, John Sullivan, anunciou que os Estados Unidos vão conceder a Angola cerca de dois milhões de dólares em “assistência continuada” ao combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo e para a remoção de minas.
Numa conferência de imprensa, o responsável condicionou a relação da banca correspondente norte-americana com os seus congéneres angolanos ao restabelecimento de um clima de confiança económica em que o combate à corrupção seja prioritário.
“O restabelecimento de bancos correspondentes pela banca dos Estados Unidos em Angola é uma questão muito importante para as nossas relações comerciais e de investimento. Os meus colegas do Governo e a nossa Embaixada aqui, no Departamento de Estado, em Washington, e muito especialmente no Departamento do Tesouro, têm mantido intensas discussões com o Governo de Angola e respectivos ministros para melhorar o clima de investimento em Angola, sobretudo para criar confiança junta da banca norte-americana para que possam restabelecer os bancos correspondentes”, sublinhou John Sullivan naquela ocasião.
O Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou antes dessas declarações que está a implementar, com o apoio do FMI, um plano de adequação do sistema financeiro angolano às normas internacionais de prevenção de branqueamento de capitais e combate ao financiamento do terrorismo.
O incumprimento por Angola destas regras levou ao fim das relações com bancos correspondentes em 2016.

Risco sistémico na economia mundial

O Relatório de Estabilidade Financeira Global tornou-se no segundo (depois das Perspectivas Económicas Mundiais) mais severo das dezenas de documentos do Fundo Monetário Internacional que esta semana alertam, em Washington, para níveis aumentados da ocorrência de riscos sistémicos na economia mundial.
Os riscos para o sistema financeiro global cresceram nos últimos seis meses e podem aumentar com uma eventual separação britânica desordenada da União Europeia ou uma escalada das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, adverte o documento divulgado nas Reuniões de Primavera do Banco Mundial e do FMI.
O relatório observa que a expansão económica global está a desacelerar e que um declínio abrupto pode ter impacto abrangente, mas desaconselha os países membros a revogarem os regulamentos preventivos que podem ajudar a preservar o sistema financeiro em caso de contracção.
“Existe o risco de o sentimento positivo do investidor se deteriorar abruptamente, levando a um aperto das condições financeiras”, estima o documento, indicando que “isso terá maior efeito nas economias com fundamentos mais fracos, mais vulnerabilidades financeiras e menos espaço para reagir a choques”.

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