Economia

Angola gasta divisas e perde nos impostos

Madalena José

Angola gastou quatro mil milhões de dólares com a importação de carne e derivados nos últimos dez anos, tendo uma permissiva taxa aduaneira de dez por cento sobre a aquisição desses produtos no estrangeiro, disse ao  Jornal Angola o presidente de Associação Industrial de Angola( AIA).

José Severino quer agravamento fiscal para carne importada
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

José Severino, que reagia a interdição da importação de carnes processadas da África do Sul pelas autoridades sanitárias angolanas há pouco mais de uma semana, lembrou que a AIA propõe, desde há oito anos, uma taxa de 20 por cento para os importadores de carne e derivados.
A interdição “é louvável”, declarou o presidente da AIA, defendendo a criação de políticas fiscais e de incentivo à produção nacional, para que o país seja auto-suficiente em carne de produção nacional.
A diminuição da importação e dos riscos de contaminação passa pela produção nacional, que abre oportunidades para os criadores nacionais, que têm sido “marginalizados” em domínios como assistência, criação de tanques banheiros, mangas de vacinação para o gado e valas de retenção de água pluvial para o gado, como forma de prevenir situações provocadas pela seca. Na semana que terminou a 10 de Março, o Instituto dos Serviços de Veterinária de Angola ordenaram a “retirada imediata do mercado” de carnes processadas provenientes da África do Sul, de duas empresas locais, devido ao surto epidémico de listeriose que naquele país já provocou pelo menos 180 mortos.
Em comunicado, o serviço afecto ao Ministério da Agricultura e Florestas apontou a contaminação de carnes processadas prontas para o consumo conhecidas como “Polony”, produzidas na África do Sul pelas empresas Enterprise Food e Rainbow Chicken Limited.
Considerando o “risco que a listeriose representa para a saúde pública”, o Instituto dos Serviços de Veterinária do Ministério da Agricultura e Florestas ordenou a “retirada imediata do mercado” destes produtos, bem como “a sua destruição”.
Foi recomendado que os consumidores prestem atenção às referências dos produtos e “proceder à sua des-
truição imediata, caso os te-nham adquirido”, com o mi-nistério a garantir que serão intensificadas as medidas de policiamento e controlo sanitário nos estabelecimentos comerciais e postos fronteiriços do país.
As autoridades da África do Sul anunciaram a 4 de Março terem identificado a causa da epidemia de listeriose, que há um ano assola o país e que já provocou pe-lo menos 180 mortes, responsabilizando uma empresa alimentar no nordeste do país.
Dados do Instituto Nacional de Doenças Contagiosas sul-africano indicam que, desde Janeiro de 2017, foram registados perto de 950 casos, o que torna a epidemia a maior jamais registada em todo o mundo.

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