Angola investiu elevadas somas em obras públicas


7 de Abril, 2017

Fotografia: Edições Novembro

O Governo de Angola investiu mais de 120 mil milhões de dólares norte-americanos, o equivalente à produção total anual do país materializada no PIB, na execução de obras públicas entre 2002, final da guerra civil, e 2016, revelou em Luanda o director do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola.

Alves da Rocha reconheceu que esse período correspondeu a taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) elevadas, mas acrescentou que a partir do momento em que o preço do barril de petróleo quebrou esta dinâmica, o crescimento económico deixou de ter as mesmas características.
O economista e docente adiantou que o nível elevado de investimento público ao longo de quase 15 anos não repercutiu na produtividade das empresas, que continuam a ver a competitividade afectada, nomeadamente face aos produtos importados, apesar das restrições recentemente introduzidas na pauta aduaneira.
O “Relatório Energia em Angola 2016”, elaborado por aquele centro da Universidade Católica de Angola e divulgado na quarta-feira, reflecte também como a quebra nas receitas petrolíferas afectou a economia nacional, o crescimento e a possível “degradação dos consumos das famílias”, bem como a “redução substancial e mesmo encerramento” de empresas. O documento refere que só na produção e distribuição de electricidade foram aplicados mais de oito mil milhões de dólares ao longo dos últimos anos e acrescenta que o sector, que tinha um peso de 1,2 por cento no PIB em 2012, caiu para 0,2 por cento em 2.015, o equivalente a 204 milhões de dólares.
No final de 2015, Angola dispunha de uma potência instalada de 2.354 megaWatts, menos de metade do necessário para o consumo do país, sendo 916 produzidos em aproveitamentos hidroeléctricos e 1.428 produzidos em centrais térmicas.
 O ministro do Planeamento e Desenvolvimento Territorial, Job Graça, garantiu, por sua vez, que o país passa a ter uma potência instalada de energia eléctrica de cinco mil megaWatts até ao final do actual quinquénio (2012-2017).
Job Graça, que falava à margem da cerimónia de inauguração do aproveitamento hidroeléctrico de Chiumbue, na província da Lunda Sul, afirmou que essa evolução expressa o desenvolvimento pretendido para Angola, depois do advento da paz.  “No final do actual plano quinquenal 2012-2017, a capacidade instalada de energia eléctrica passará de cerca de dois mil megaWatts para mais de cinco mil megaWatts e isso expressa o que se faz a nível das infra-estruturas, fruto dos dividendos da paz”, referiu.
Até 2025, os investimentos previstos pelo Governo devem levar a indústria do gás natural a garantir a produção de 19 por cento da energia eléctrica total consumida em Angola, que é actualmente o maior produtor de petróleo em África, com mais de 1,6 milhões de barris por dia.
Em finais do ano passado, o secretário de Estado da Construção, António Teixeira Flôr, disse que o Governo de Angola investiu, desde 2002, cerca de 25 mil milhões de dólares na recuperação de infra-estruturas rodoviárias.
Cerca de 18 mil quilómetros dos 25 mil da rede de estradas primárias, secundárias e terciárias já foram reabilitados, tendo Angola recuperado, nos últimos 14 anos, 70 por cento da sua malha rodoviária, destruída pela guerra.
António Teixeira Flôr, que falava durante as jornadas técnico-científicas da Fundação Eduardo dos Santos realizadas em Luanda, referiu ainda que Angola necessita, para os próximos anos, de um investimento de cerca de seis mil milhões de dólares.
Na componente petrolífera, o CEIC destaca que a quebra nas receitas provocou uma forte redução no crescimento da riqueza nacional, de 0,9 por cento em 2015, e uma perspectiva de estagnação - crescimento de 0,1 por cento - em 2016, colocando o PIB à volta dos 95 mil milhões de dólares.
Alves da Rocha apontou que a dependência do Estado das receitas fiscais petrolíferas cifra-se hoje à volta dos 60 por cento do total, tendo descido dos anteriores 80 por cento. As receitas fiscais não petrolíferas, em função da crise provocada pela diminuição das receitas com a venda de crude, também desceram, o que é “consistente com a quebra no crescimento da economia”, referiu.

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