Economia

Angola projecta aumento da produção de diamantes

Natacha Roberto|

Angola prevê elevar  a produção diamantífera de 9,2 milhões de quilates registados no ano passado para 14 milhões, até 2022, o que pode colocar o país no terceiro  lugar no ranking dos maiores produtores mundiais, anunciou ontem, em Luanda, o presidente do Conselho de Administração (PCA) da Empresa Nacional de Diamantes (ENDIAMA.

Previsões foram anunciadas pelo PCA da ENDIAMA, quando fazia o balanço do ano passado
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

Nganga Júnior disse que, com o aumento da produção, as previsões apontam, também, para a subida das receitas, passando de 1,2 milhões de dólares registados em 2018 para 1,5 mil milhões em 2022.
Os números foram apresentadas ontem, numa conferência de imprensa, que serviu para apresentar o balanço das actividades do sector diamantífero no país em 2018 e as perspectivas para este ano.
No ano passado, de acordo com o gestor, o país comercializou 8,2 milhões de quilates, ao preço médio de 148 dólares, que permitiram arrecadar 1,2 mil milhões de dólares. Nganga Júnior informou que no mesmo ano, as vendas de diamantes observaram uma melhoria de 27 por cento no preço médio, o que resultou numa receita adicional de 261 milhões de dólares, face aos valores inicialmente previstos. 
O presidente do Conselho de Administração da  ENDIAMA adiantou que, para este ano, as previsões apontam para uma produção de 9,5 milhões de quilates e receitas estimadas em 1,3 mil milhões de dólares. “Estamos convencidos de que temos reservas e minas capazes de produzir grandes quantidades de diamantes preconizadas”, disse.   
Neste momento, disse, operam no país 12 empresas e para atingir os níveis de produção projectados estão em curso acções de reestruturação em três delas, nomeadamente, Luó, Camuté, Calonda e Luarica.
No ano passado, revelou,  a ENDIAMA assinou um contrato com a empresa Rio Tinto, para a realização de um estudo de concessão das minas do Tchegi e Chiri e outro para a lapidação e comercialização de diamantes com os escritórios da Sheikh Ahmed, dos Emirados Árabes Unidos.
Actualmente, de acordo com Nganga Júnior, a empresa emprega 11.035 trabalhadores, número que deve aumentar com o recrutamento, ainda neste trimestre, de novos profissionais especializados nas áreas de geociências.
Entre as prioridades da empresa para os próximos anos, anunciou, está o combate ao tráfico ilícito de diamantes e a imigração ilegal nas áreas de exploração diamantífera, assim como a melhoria do controlo da actividade das cooperativas de exploração de diamantes.
“Identificamos  mais 700 casos de exploração industrial ilegal e assim que as condições estiverem reunidas apenas algumas poderão voltar a funcionar”, disse. A empresa pretende, ainda, criar condições para desenvolver nas zonas mineiras projectos ligados à  agro-indústria, produção de energia eléctrica, centros comerciais e de lapidação de diamantes, tendo em vista a melhoria das condições de vida das comunidades envolventes.
Entre os projectos em curso, destacou a digitalização do acervo geológico-mineiro e o levantamento de toda a informação existente na ENDIAMA e no Instituto Geológico de Angola.
A empresa pretende redefinir novas áreas de concessões, com base na elaboração de um mapa, onde constem as áreas diamantíferas em que se pretende passar de 200 concessões para 350.  


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