Economia

Angola quer renegociar dívida

Angola está a tentar renegociar a sua dívida externa que no final do ano passado atingiu os 62,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), revelou em Washington o secretário de Estado para a Economia e Planeamento, Neto Costa.

Neto Costa integra delegação angolana nas reuniões da primavera de Bretton Woods
Fotografia: Edições Novembro

Citado pela Voz da América, Neto Costa disse que a intenção do Governo angolano é renegociar a “maturidade” das dívidas. Dados mais recentes indicam que desde o início do ano a dívida angolana pode ter atingido já os 67 por cento do PIB.
Neto Costa disse numa conferência de possíveis investidores organizada pelo Banco Mundial e pela Câmara de Comércio Estados Unidos/Angola que o rácio do serviço da dívida para o rendimento fiscal do Governo era no final do ano passado de 89,4 por cento.
O secretário de Estado não disse com quem é que o Governo angolano quer renegociar a dívida, mas para já parece estar posta de parte a possibilidade do Fundo Monetário Internacional vir em socorro de Angola com um pacote de financiamento.
As autoridades angolanas pediram um programa de apoio ao FMI mas apenas para coordenação de políticas económicas para ajudar na “implementação do programa do governo de estabilização macro económica”.
Os números divulgados revelam que a dívida angolana surge como um dos principais entraves ao desenvolvimento do país e daí a necessidade do seu refinanciamento.

Reservas caem um terço
O governador do Banco Nacional de Angola, José de Lima Massano, disse que no ano passado as reservas cambiais angolanas caíram em cerca de um terço.
Neto Costa afirmou, por seu turno, que as reservas cambiais de Angola têm vindo a cair desde 2013, quando es-tavam avaliadas em cerca de 31 mil milhões de dólares para pouco mais de 13 mil milhões o ano passado.
Estatísticas do Banco Nacional de Angola dizem que desde então essas reservas caíram para pouco mais de 15 mil milhões de dólares o que põe em perigo as contas externas do país. O governador do BNA disse na conferência que Angola precisa de diversificar a sua economia, pois 95 por cento dos seus recursos são provenientes da venda de petró-leo. “Para vos dar uma ideia, Angola importa mensalmente 250 milhões de dólares em alimentos”, disse Massano, citado pela Voz da América.
Outros 200 milhões de dólares mensais são gastos na importação de produtos petrolíferos refinados enquanto outros 50 milhões de dólares mensais são gastos em estudantes no estrangeiro ou angolanos que vão ao estrangeiro “para tratamento médico”. “E tudo isto está dependente do petróleo”, disse o governador do banco nacional.
Apesar disso, o ministro das finanças Archer Mangueira fez notar que há maior optimismo entre os compradores da dívida angolana. Mangueira disse estar a decorrer a segunda emissão da dívida pública angolana em moeda externa, os Eurobonds.
“É justo lembrar que os títulos da primeira emissão realizada em 2015 estão a ser transaccionados no mercado secundário com “yi-elds” que denotam a confiança dos investidores”,” disse Mangueira.
“As cotações registaram no início deste ano níveis abaixo de 7 por cento face aos 9,5 por cento iniciais”, acrescentou o ministro que reconheceu no entanto que isso pode estar ligado a melhores preços do petróleo.
Contudo, disse acreditar que isso se deve também às iniciativas que o governo an-golano está a levar a cabo “pa-ra tornar o país mais atracti-
vo ao investimento directo estrangeiro”.

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