Economia

Angola reduz importação de aço

Walter António | Barra do Dande

O primeiro complexo siderúrgico nacional - Aceria de Angola (ADA) -, inaugurado ontem, na Barra do Dande, província do Bengo, vai contribuir de forma significativa para a redução do volume de importação de varões de aço, afirmou o ministro da Economia, Abraão Gourgel.

Com a entrada em funcionamento do complexo siderúrgico da Barra do Dande o país poupa divisas e faz melhor aproveitamento da sucata existente
Fotografia: Paulo Mulaza

O corte da fita foi feito em simultâneo pelo ministro da Economia e pela Primeira Dama, Ana Paula dos Santos.
Com uma produção diária de mil toneladas de varões de aço de oito a 32 milímetros, para construção de residências, edifícios e pontes, a nova unidade industrial prevê multiplicar a produção no início do próximo ano. A fábrica tem uma capacidade de produção de 500 mil toneladas de aço por ano, referiu o presidente da ADA-Aceria de Angola, Georges Choucair, durante a cerimónia de inauguração do complexo.
Actualmente, Angola importa cerca de 300 mil toneladas de aço. “Com a entrada em funcionamento desta siderurgia, Angola ganha capacidade de produção de varão de aço em grande escala, e que até hoje é importado em grandes quantidades”, disse o ministro, que defende a protecção da produção nacional de aço e de outras fábricas.
A iniciativa privada ficou orçada em 300 milhões de dólares, contrariamente aos 260 milhões de dólares previstos inicialmente. Deste valor, metade foi cedido pelo Banco de Poupança e Crédito (BPC0). A partir de Fevereiro do próximo ano, a fábrica começa a produzir fio-máquina e, até ao final do ano, malha-sol. O empresário Georges Choucair disse que, em função do plano de expansão da siderurgia, a nova fábrica pode tornar-se, a curto prazo, na maior do continente africano.
O investidor enalteceu o empenho do Presidente da República pela sua visão estratégica e por ter criado um clima de estabilidade, paz e condições para o investimento privado. No complexo siderúrgico estão a trabalhar 600 jovens e garantidos dois mil postos indirectos de trabalho. Para a produção de aço, explicou, são necessários, além de sucata de carros, cal, liga de aço, eléctrodos e outros meios. Entre as sucatas recolhidas estão as resultantes do conflito armado, viaturas abandonadas e equipamento da indústria petrolífera. A empresa procede igualmente à compra de sucata.
A empresa investiu 35 milhões de dólares na rede de alta tensão de energia proveniente da barragem de Cambambe, cuja linha é captada a partir do município de Cacuaco. Além disso, a unidade fabril dispõe também de uma central térmica com capacidade de 24 megawatts. Para a fábrica funcionar, segundo Georges Choucair, são necessários 50 megawatts de energia eléctrica.
O governador da província do Bengo, João Bernardo de Miranda, considerou o empreendimento a maior unidade fabril que, até ao momento, a província ganhou e permitiu empregar centenas de jovens.Além da unidade fabril, o complexo tem uma área com 500 residências e um centro de formação profissional.

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