Economia

Apenas 31 passageiros por carruagem nas viagens

Adérito Veloso

Os comboios dos caminhos-de-ferro de Benguela, Moçâmedes e Luanda vão retomar, nos próximos dias, a circulação ferroviária, mas com a permissão de transportar apenas 31 de um máximo de 62 passageiros por carruagem (50 por cento) ou mesmo até só um terço da lotação.

Fotografia: DR

Para o director-geral do Instituto Nacional dos Caminhos-de-Ferro de Angola (INCFA), Ottoniel Manuel, com o desconfinamento das pessoas, os comboios de passageiros poderão circular, mas ainda assim, terão de fazer com que se cumpram as recomendações constantes do regulamento sanitário internacional, bem como outras que são necessárias nesta fase, visando garantir o distanciamento social.

"Uma carruagem tem uma lotação máxima de 62 passageiros. Os comboios circulam com nove ou 10 carruagens, numa média por viagem que ronda os 500 ou 600 passageiros", disse. Durante a fase do Estado de Emergência, as três em-presas públicas do sector ferroviário tinham paralisado os serviços de transporte de passageiro.

Pessoas transportadas

Os três caminhos-de-ferro de Angola, designadamente de Benguela (CFB), Moçâmedes (CFM) e de Luanda (CFL) transportam, anualmente, cerca de 4,5 milhões de passageiros. A transportação de passageiros por mês é, aproximadamente, de 195 mil e uma média diária de oito mil pessoas.

Durante os dois últimos meses, antes da interrupção, as três empresas públicas do sector ferroviário transportaram, em média 40 mil toneladas de mercadoria diversa pelo país. "Destaca-se o transporte de minério proveniente da RDC e o transporte de granito, no Sul de Angola, e também o transporte de combustível", destacou.

Quanto às perdas registadas durante o período de vigência do estado de emergência, o responsável informou que o balanço será feito na devida altura. "A nossa maior preocupação é garantir que a circulação de mercadorias continue, porque é a fonte primária de arrecadação de receitas para o pagamentos dos salários dos trabalhadores das empresas", apontou, tendo avançado que as três empresas recebem do Estado subsídios operacionais.

Quanto à participação do sector privado na exploração dos serviço no segmento ferroviário, Ottoniel Manuel sublinhou que existe um conjunto de regulamentos e legislação que oferecem esta possibilidade, com realce para alguns Decretos Presidências, que regulam a forma como as concessões podem ser processadas. "Não temos tido muita procura por parte de interessados ou operadores privados para fazerem estes serviços, mas o que é facto é que existe legislação que oferece esta possibilidade para quem estiver interessado para explorar os serviços", assegurou.

Dificuldades

À semelhança do que acon-tece com as empresas de ou-tros sectores, que vivem momentos difíceis por causa da pandemia, no segmento dos transportes ferroviários, o cenário não é diferente. A situação é agravada ainda com a falta de peças e acessórios e sobressalentes.

"Foi feito um grande investimento pelo Estado para a aquisição de material circulante (locomotivas), que apesar de trazerem peças de reposição, ainda assim, dado o tempo, algumas das empresas não têm adquirido peças", revelou, depois de frisar que apesar de algumas empresas terem recursos financeiros, o "grande entrave tem sido na aquisição de divisas para adquirir no mercado externo as peças".

O gestor revelou que o Caminho-de-ferro de Lu-anda (CFL) se depara com constrangimentos a nível da sua infra-estrutura ferroviária, no troço de 215 quilómetros Zenza/Cacuso, ligação entre Cuanza Norte e Malanje, que carece de um forte investimento para a sua plena reabilitação.

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