Economia

Associações satisfeitas com conversão do crédito

Victorino Joaquim

Os presidentes das Associações Angolana de Bancos (ABANC) e de Profissionais Imobiliários de Angola (APIMA), Mário Nascimento e Cleber Correia, declararam-se favoráveis aos Instrutivo do BNA que, na quarta-feira, ordenou que os bancos comerciais convertam em kwanza o crédito à habitação concedido a clientes particulares em moeda externa.

Novo Instrutivo do BNA orienta os bancos comerciais convertam em kwanza o crédito à habitação.
Fotografia: DR

O líder da ABANC, Mário Nascimento, considera que a medida traz dupla vantagens, nomeadamente, para os clientes e para os bancos comerciais, com os primeiro a poderem adequar as obrigações ( dívida do crédito) às receitas (rendimentos/ salários), o que retira “do ombro dos clientes” o risco cambial e a incerteza.

O risco cambial, sublinhou Mário Nascimento, aumenta a probabilidade de os cliente não conseguirem pagar o crédito, pois a taxa de câmbio tem uma taxa de crescimento superior à dos salários. Os bancos comerciais, por seu lado, têm a grande vantagem de, com esta conversão, verem reduzida a probabilidade de incumprimento, “pois o serviço da dívida é adequado aos rendimentos dos clientes”.

Além disso, com a conversão do crédito, embora os bancos continuem a constituir provisões e imparidade dos créditos, com o valor escriturado em kwanza há um tecto máximo conhecido, que é o valor do crédito em kwanza, e já não um valor que está dependente do câmbio e que é escriturado em moeda estrangeira.

O presidente da ABANC lembrou que, há alguns anos, a banca deu crédito à habitação maioritariamente em moeda estrangeira, independentemente de os clientes terem ou não salários em kwanza: o facto de antes muitos clientes terem salários em dólares ou indexados ao dólar, fazia com que o a variação cambial não tivesse efeitos negativos sobre a capacidade dos clientes em pagar os créditos.

Com o fim do pagamento dos salários em dólares ou indexados, e o difícil acesso a moeda estrangeira associado ao aumento da taxa de câmbio, faz com que os salários pagos em kwanza já não consigam cumprir as responsabilidades dos clientes, fazendo que o crédito entrasse em incumprimento. 

Para o presidente da ABANC, os bancos operadores tendem a conformar-se às decisões implícitas no instrutivo, uma vez que este instrutivo é muito vantajoso para bancos e clientes, e o que levantava obstáculos à aplicação desta conversão por parte dos bancos.

O presidente da Imobiliários de Angola (APIMA), declarou ontem à Rádio Nacional de Angola, aplaudiu a medida tomada pelo BNA, considerando que vai facilitar o processo de compra de habitação no país. “A medida é boa, especificamente para aqueles que têm financiamento.

Quando se pagava em dólares, as pessoas pagavam como se fosse uma corrida dos átomos, em que não saiam do mesmo lugar”, disse o presidente da APIMA, lembrando que, no passado, o câmbio de cem dólares era pago por um valor inferior ao actual.

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