Economia

Associações empresariais contestam a confederação

André dos Anjos

Líderes de cinco associações empresariais endereçaram uma carta conjunta ao Presidente da República, a que o Jornal de Angola teve acesso, onde afirmam não se reverem “num certo protagonismo e tentativa de liderança, que vêm sendo publicamente manifestados pelo presidente da denominada Confederação Empresarial de Angola (CEA)”.

Fotografia: DR

Subscrevem a carta os presidentes da Associação Industrial de Angola, José Severino, da Associação de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (ECODIMA), Raul Mateus, da Associação de Hotéis e Resorts (AHRA), Armindo César, da Comunidade de Empresas Exportadoras Internacionalizadas, Agostinho Kapaia e o secretário-geral da Câmara de Comércio, António Tiago Gomes.
Os autores do documento lembram que uma confederação resulta de um agregado de federações e não de entes, “até mesmo informais, que parecem constituir a Confederação Empresarial de Angola”. Por diversas ra-zões, afirmam os subscritores, a Confederação Empresarial de Angola carece de legitimidade, para falar em nome da classe.
Na missiva, os subscritores levantam dúvidas à legalida-de da organização que Francisco Viana tratou de desfazer, quando exibiu ao Jornal de Angola cópia do Diário da República, 3ª série, nº 158, onde vem publicada a Confederação Empresarial de Angola (CEA). O presidente da CEA, Francisco Viana, minimizou as declarações de José Severino, Raul Mateus, Armindo César, Agostinho Kapaia e António Tiago Go-mes, argumentando que ninguém é obrigado a fazer parte de uma organização.
Na carta datada de 9 de Maio, José Severino, Raul Mateus, Armindo César, Agostinho Kapaia e António Tiago Gomes enaltecem a atenção que o Presidente João Lourenço dedica à classe empresarial, traduzida em vários gestos, que incentivam os empresários a cumprirem a missão que lhes é reservada no processo de desenvolvimento socioeconómico do país.
Os empresários dizem notar com satisfação a preocupação do Presidente da República em incluir líderes de associações empresariais e de empresários nas comitivas que o acompanham nas visitas de Estado ao estrangeiro. No documento, aqueles empresários dão conta ao Presidente que as comunicações às associações sobre a inclusão nas delegações oficiais do Chefe de Estado não são feitas com a necessária antecedência, que permitiria a concertação de agenda com os departamentos ministeriais.
Outra preocupação apresentada prende-se com o acesso às divisas, para a cobertura das despesas de viagem. Para as suas deslocações em comitivas oficiais, os empresários entendem que o Banco Nacional de Angola (BNA) devia orientar os bancos co-merciais a facilitá-los na aquisição de cambiais.
Afirmaram os autores da carta que aos empresários convidados a integrar as comitivas do Chefe de Estado devem ser criadas “condições especiais” para a aquisição de bilhetes de passagem na companhia de bandeira e garantido o apoio das Embaixadas nas negociações de preços dos hotéis e transporte.

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