Economia

Atendimento em Mandarin para viabilizar os negócios

Kátia Ramos

Responsáveis do Banco Sol e representantes de empresários  chineses que operam em Angola reuniram-se na  sexta-feira em Luanda, para encontrar formas de elevar os níveis de bancarização da comunidade daquele país residente no país.

Banco aceita solicitação da Câmara de Comércio China-Angola para abrir balcões personalizados e instituir linhas de crédito que dinamizem as trocas
Fotografia: Paulo Mulaza|Edições Novembro

No encontro, um seminário subordinado ao tema do “Fomento de negócios e parcerias” promovido pelo Banco Sol, o presidente da Câmara de Comércio Angola-China (CAC) pediu a criação de agências especializadas com serviços próprios de atendimento personalizado à comunidade empresarial chinesa no país.
Manuel Calado declarou que existe uma grande dificuldade por parte dos chineses em aderirem aos bancos que operam em Angola, uma oportunidade de negócio que projectou o Banco Sol para a criação de agências especializadas que trabalham e oferecem produtos em língua mandarim e protecção física dos clientes durante as operações.
“Estamos a trabalhar com os bancos nacionais para começar a abrir agências destinadas à comunidade chinesa com alguma segurança, facilidade de comunicação e o lançamento de linhas de crédito para jovens angolanos interessados em adquirir habitações em projectos promovidos por chineses”, anunciou o presidente da CAC.
O presidente da Câmara de Comércio Angola-China  acrescentou que as empresas chinesas têm, em Angola, uma grande oferta de habitação e imobiliária, mas não conseguem vender porque os jovens encontram dificuldades financeiras, pelo que se pretende estabelecer um acordo com o Banco Sol para a concessão de empréstimos aos interessados.
O presidente do Conselho de Administração do Banco Sol, Coutinho Miguel, assinalou a vocação da instituição para uma eventual colaboração com a CAC, como é a execução de transferências financeiras internacionais em dólares dos Estados Unidos, rands e euros por intermédio da sua rede de bancos correspondentes, com o fim  de aproximar empresas nacionais e estrangeiras que operam no país.
Coutinho Miguel reclamou, para o banco, práticas de uma elevada qualidade e rapidez nas operações e serviços, o que é provado pelo crescente reconhecimento da instituição em Angola e no estrangeiro e a atribuição do prémio de Melhor Banco Comercial de Angola em 2016 pela revista especializada britânica“The European”.
O gestor  acrescentou que o banco está a adequar a sua actuação às normas e boas práticas internacionais, trazendo benefícios aos seus clientes. “O interesse de internacionalizar as relações financeiras não se retinge apenas à eficiente execução de transferências”, frisou e enumerou factos da observação das normas prudenciais impostas pelo Banco Nacional de Angola e de “compliance” do sistema financeiro internacional.
O responsável anunciou que o banco decidiu o seu crescimento orgânico no país, com uma estratégia consistente de internacionalização assente na expansão na África Austral e operações já desenvolvidas na Namíbia, onde apoia empresas angolanas na exportação de bens e serviços. Além disso, o Banco Sol está representado em outros continentes, com o que viabiliza as transacções comerciais em yuan, rands, dólares norte-americanos e euros.
O presidente do Banco Sol sublinhou que a eventual adopção das agências especializadas sinaliza a internacionalização do banco que, está envolvido  nas relações económicas e financeiras entre Angola e a China desde 2003.
A China, disse apoiou Angola num período difícil, quando outros países hesitaram, e que o Banco Sol jogou um papel importante no apoio às empresas e trabalhadores que “aplicaram todo o seu esforço e saber na reconstrução de Angola”.
A China, concluiu, continua a ser o principal comprador do petróleo angolano e o segundo principal exportador de bens para o país.

  Seis mil milhões de dólares para investimentos em Angola

Empresários chineses dos sectores comercial, industrial e agro-pecuário têm disponíveis 6 mil milhões de dólares para investir em Angola, garantiu o presidente da Câmara de Comércio Angola-China, Arnaldo Calado.
O responsável, que falava à imprensa após o fórum empresarial que reuniu executivos do Banco Sol e da Câmara de Comércio Angola-China, disse que o montante disponibilizado pelos empresários chineses é independente dos acordos de financiamento existentes entre os dois países. “Não se trata de uma troca de garantia soberana, mas de retorno de capitais que pode ser negociado”, realçou o empresário.
O vice-presidente da Câmara, o chinês Francisco Xen, falou das dificuldades das empresas chinesas obterem divisas para investimento e do repatriamento dos dividendos e lucros. “Faltam divisas para as empresas chinesas que operam em Angola fazerem importações.
Na China é mais fácil, porque produzimos e quando é para fazer um investimento apenas nos limitamos a fazer contratos de fornecimento. Mas tenho fé que as coisas vão melhorar”, disse.  
O presidente do Banco Sol, Coutinho Miguel, considera a China um dos mais “importantes e seguros” parceiros financeiros e comerciais do país. “A China tem sido o primeiro parceiro de Angola em termos de importação de petróleo e o segundo em prestação de bens e serviços. Por isso, esta comunidade deve encontrar ambiente favorável de negócio no país”, apelou.

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