Economia

Autoridades elevaram taxa de abate florestal

Lourenço Bule | Menongue

As autoridades do Cuando Cubango elevaram a quota de exploração florestal na época iniciada em 2017 e vai até ao fim de Janeiro, de 15,5 mil para 29 mil metros cúbicos, o que é justificado pela grande densidade florestal da província, soube, na sexta-feira, o Jornal de Angola de fonte oficial, em Menongue.

Denúncia diz que crimes florestais estão associados ao tráfico e abate ilegal de animais
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro | Cuando Cubango

O director do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) no Cuando Cubango, Abel Mambo, explicou que a primeira quota de exploração atribuída à região, em Junho, “era bastante irrisória” e desproporcional ao número de empresas licenciadas, extensão territorial e aos recursos florestais existentes.
Um total de 58 empresas trabalham na exploração florestal no Cuando Cubango e o aumento da quota visava atender as licenças concedidas, afirmou Abel Mambo. “Fez-se um acréscimo para aumentar o número de empresas e o volume de madeira a explorar no Cuando Cubango”, disse.
O director do IDF anunciou que, nas próximas campanhas de exploração florestal, é instituída a concessão de licenças para operar, com o que o beneficiário é obrigado a apresentar projectos de viabilidade técnica e económica e fazer repovoamento florestal.
Os operadores devem  pagar as taxas de exploração dos recursos florestais, respeitar as normas de cubicagem e financiar projectos sociais nas localidades envolvidas. “A actividade florestal não consiste só no corte das árvores, mas também no repovoamento e, para além de se explorar, é necessário criarem-se, no Cuando Cubango, indústrias de transformação de madeira para se aproveitar na íntegra este recurso natural”.
Abel Mambo estimou que, na ausência de uma indústria de transformação, perde-se 40 por cento do rendimento por árvore abatida.
O IDF do Cuando Cubango emprega apenas 11 trabalhadores na fiscalização, embora necessite de mais cem, para cobrirem a área florestal da província de 200 mil quilómetros quadrados.
A fraca fiscalização levou o director-geral da Missão de Beneficência Agro-pecuária do Kubango, Inclusão, Tecnologias e Ambiente (Mbakita) a propor a suspensão imediata de toda a actividade de exploração de madeira, como fez o Governo Provincial do Moxico, para depois se estabelecerem regras e se indicarem as empresas angolanas capazes, ao invés das organizações chinesas e vietnamitas “que tomaram de assalto as florestas do Cuando Cubango”. 

Tráfico de animais
Pascoal Baptistiny concordou com a ideia antes avançada pelo director provincial do IDF, de se criar uma indústria local para a transformação de toda a matéria-prima, aliada a uma política de repovoamento florestal, para alavancar o emprego, a captação de receitas para o Estado, criação de rendimentos e a elevação das condições de vida das comunidades de onde os  recursos são retirados.
“O Cuando Cubango é rico em recursos florestais, hídricos, minerais e faunísticos, mas de nada servem se continuarmos a assistir impávidos e serenos a este tipo de práticas que, amanhã,  podem empurrar a população para uma situação de pobreza extrema e problemas ambientais desagradáveis”, declarou Pascoal Baptistiny.
O director-geral da Mbakita denunciou que a exploração ilegal de madeira está a proporcionar “enormes fortunas aos devastadores de florestas”, diante do que disse ser “o olhar silencioso do Governo Provincial, que nada faz para travar esta situação”.
A exploração ilegal de madeira no Cuando Cubango está associada à caça furtiva. Há uma “chacina da flora e da fauna”  e  o tráfico de animais, prosseguiu o director-geral da Mbakita. 
Abel Mambo e Pascoal Baptistiny fizeram estes pronunciamentos numa mesa-redonda realizada na sexta-feira, em Menongue, consagrada ao tema “Recursos naturais enquanto fonte do bem-estar dos angolanos”, promovida pela Mbakita e financiada em 25 mil libras (cerca de sete milhões de kwanzas) pela Embaixada britânica em Angola.

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