Autoridades financeiras antecipam o pagamento


12 de Janeiro, 2017

O Estado português reforçou, em Dezembro, o reembolso antecipado ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em mais 500 milhões de euros (cerca de 84 mil milhões de kwanzas) e planeia reduzir a emissão de Obrigações do Tesouro de 16 para 15 mil milhões de euros em 2017.

A imprensa portuguesa noticiou ontem que a menor necessidade de recorrer ao mercado advém das significativas existências de tesouraria. “As emissões de dívida de médio e longo prazo em mercado foram reduzidas em cerca de mil milhões de euros em consequência do aumento da utilização de depósitos como fonte de financiamento”, explicou uma fonte do Ministério das Finanças de Portugal.
“A diferença do valor resulta sobretudo de o saldo de depósitos disponível no final de 2016 ter aumentado em 900 milhões de euros face à previsão anterior”, acrescentou a fonte.
Relativamente ao FMI, o Ministério das Finanças confirma que “houve efectivamente uma antecipação, de 2017 para 2016, do pagamento em 500 milhões” e que “a diferença (de dois mil milhões de euros para 1,5 mil milhões) resulta directamente do pagamento dos referidos 500 milhões realizado em 2016”. Ou seja, o FMI, que já tinha recebido quatro mil milhões, foi ressarcido num total de 4,5 mil milhões em 2016.
O antigo secretário de Estado do Tesouro daquele país, Ricardo Mourinho Félix, explicou há pouco mais de um mês que a antecipação ao FMI “permite poupar 80 milhões de euros” em juros em 2017 e 2018. O empréstimo do FMI é muito mais caro que os outros. A sua taxa média de 4,6 por cento compara com os 2,1 do Mecanismo Europeu ou com os actuais 4,1 do mercado secundário de Obrigações do Tesouro a dez anos.
Só em 2017, os contribuintes portugueses terão de pagar aos credores 8,3 mil milhões em juros (4,3 por cento do produto interno bruto). Há mais dinheiro em depósitos, porque a capitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) transitou de 2016 para este ano, como se tivesse sobrado dinheiro.
Essa almofada é constituída por dinheiro mais barato, angariado durante os vários meses em que as taxas de juro de Portugal estiveram muito baixas, o que hoje já não acontece. Os 2,7 mil milhões de euros necessários (injecção de capital) já estão acautelados e postos de lado para quando a operação arrancar.

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