Economia

Banco de Crédito do Sul revela aumento do lucro

O resultado líquido do Banco de Crédito do Sul (BCS) disparou de 2 839 milhões de kwanzas, em 2017, para 11 598 milhões de kwamzas em 2018, soube ontem de Jornal de Angola.

Empresário Silvestre Tulumba lidera o banco que ontem anunciou fortes lucros
Fotografia: DR

As demonstrações financeiras relativas a 2017 e 2018 (com reservas e um ênfase do auditor, a Deloitte & Touche) foram publicadas na edição de ontem nas páginas de publicadade deste jornal.
Fundado em 2015, o BCS é detido por cinco accionistas, entre os quais familiares do empresário Silvestre Tulumba. Da lista de accionistas, destacam-se Francisca da Conceição Kapose, dona de 45 por cento das participações, Jeremias Mateus, com 27,5 por cento, Rafael Kapose (20 por cento), Severiano Kapose (5,0 por cento) e Sérgio da Cunha Velho, com 2,5 por cento.
O forte aumento da rentabilidade da instituição está associado à rubrica "Resultados cambiais", que passou de cerca de dois mil milhões de kwanzas, em 2017, para 14 mil milhões de kwanzas, em 2018.
O aumento contribuiu para um impulso global na rubrica "Produto da actividade bancária", que registava um resultado de quase seis mil milhões de kwanzas, em 2017, para os 24 mil milhões, em 2018.
Nas demonstrações financeiras do BCS é possível também confirmar o aumento de capital de quatro mil milhões de kwanzas entre 2017 e 2018, com o valor a fixar-se nos dez mil milhões de kwanzas no último ano.
O activo líquido situa-se agora nos 59 mil milhões de kwanzas, depois de ter registado 36 mil milhões de kwanzas no final de 2017. O passivo subiu de 28 mil milhões de kwanzas, em 2017, para os 36 mil milhões de kwanzas.
Em declarações ao semanário “Valor Económico” durante o mês de Março, a presidente do Conselho de Administração do BCS, Maria do Céu Figueira, explicava que para “além das contribuições das operações de intermediação financeira, crédito tradicional e demais prestações de serviços”, o Conselho de administração incluiu ainda as operações com cartas de crédito no conjunto de elementos que melhoraram os proveitos do banco.

Hiperinflacção com reservas

O relatório do auditor externo (Deloitte) confirma que a “prova de auditoria” que obtida é suficiente e “propriada para proporcionar uma base” para uma opinião de auditoria mas com reservas e uma ênfase.
As reservas do auditor centram-se no alegado incumprimento das normas internacionais de contabilidade em economias hiperinflacionárias (países que acumulam uma inflação de mais de cem por cento nos últimos três anos), o que obriga ao cumprimento de outras premissas.
Neste momento, a maioria das instituições bancárias angolanas não cumpre a norma IAS 29 - Relato financeiro em economias inflacionárias. A decisão foi tomada com base num parecer de 2018 da Associação Angolana de Bancos (ABANC). O referido parecer considerou que não se encontram reunidas as condições para aplicar a norma IAS 29.
Como explicou o semanário “Expansão” em Dezembro de 2018, a classificação de uma economia como hiperinflacionária é uma decisão anual e exclusiva das seis principais empresas de auditoria a nível global: PwC, Ernst & Young, KPMG, Delloite & Touche, BDO e Grant Thornton.
Já o ênfase do auditor centra-se "num conjunto relevante de operações com entidades relacionadas", ou seja, com um montante de créditos a accionistas ou entidades associadas, com um saldo de cerca de 6 mil milhões de kwanzas em 2018.

 

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