Economia

Banco Mundial antevê maior crescimento

O Banco Mundial (BM) afirmou terça-feira que o crescimento global deve acelerar levemente, já que a recuperação dos preços do petróleo e das matérias-primas alivia as pressões sobre os mercados emergentes exportadores, numa altura em que as dolorosas recessões no Brasil e na Rússia devem chegar ao fim.

Estimativas de desenvolvimento da região caem para um ritmo mais lento em duas décadas
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No seu mais recente relatório sobre as Perspectivas Económicas Globais, o Banco Mundial espera que o produto interno bruto (PIB) mundial tenha este ano um crescimento real de 2,7 por cento, face aos 2,3 do ano passado. As economias da África Subsaariana devem crescer 2,9 por cento este ano, com Angola a expandir-se 1,2 e Moçambique a crescer 5,2, alega o Banco Mundial no seu relatório divulgado ontem em Washington.
“O crescimento da África Subsaariana deve ter um aceleramento modesto de 2,9 por cento em 2017, à medida que a região continua a ajustar-se a preços mais baixos dos produtos básicos”, lê-se no relatório intitulado “Perspectivas Económicas Globais: investimento fraco em tempos incertos.”
“Segundo as estimativas, o crescimento na região da África Subsaariana caiu para 1,5 por cento em 2016, o ritmo mais lento em duas décadas, à medida que as economias de exportação de preços de produtos básicos se ajustavam a preços baixos”, lê-se no relatório. O informe realça que “os países exportadores de petróleo, que contribuíram dois terços da produção regional, foram responsáveis pela maior parte da retracção, ao passo que a actividade em economias sem uso intensivo de recursos, geralmente permaneceu sólida”.
Nas previsões específicas para as maiores economias africanas, o Banco Mundial considera que Angola deve expandir-se a uma taxa moderada de 1,2 por cento, à medida que uma inflação elevada e uma política rígida pressionarem o consumo e o investimento.
Sobre Moçambique, os analistas do Banco Mundial lembram a divulgação da dívida escondida, que eleva o rácio sobre o PIB para 110 por cento, e dizem que o ambiente de negócios deteriorou-se por causa disso. Os riscos a estas previsões apresentadas ontem são mais negativos que positivos. “Externamente, a intensificação da incerteza política nos Estados Unidos e na Europa pode levar a uma volatilidade do mercado financeiro e a custos mais elevados dos empréstimos ou eliminar os fluxos de capital para os mercados emergentes e fronteiriços”, lê-se no documento.
Internamente, concluem os analistas do BM, “os riscos domésticos incluem a impossibilidade de se ajustar a preços baixos dos produtos básicos e a uma procura global mais fraca, além de pressões populistas que podem limitar as reformas políticas e económicas.”
A nível mundial, a instituição com sede em Washington, prevê uma expansão de 2,7 por cento. Relativamente aos Estados membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), as previsões de crescimento do PIB são de 3,3 por cento para Cabo Verde, menos 5,7 para a Guiné Equatorial, 5,1 para a Guiné-Bissau e 5,2 para Moçambique.

Economias avançadas


O crescimento nas economias avançadas deve acelerar para 1,8 por cento em 2017, diante dos 1,6 de 2016, informou o Banco Mundial, enquanto o crescimento das economias emergentes e em desenvolvimento deve subir para 4,2 por cento este ano, face aos 3,4 em 2016.
O Banco Mundial projecta que o Brasil volte a crescer este ano, com uma expansão de 0,5 por cento, contribuindo para um crescimento estimado de 1,2 na América Latina e Caribe. “Depois de anos de decepcionante crescimento global, estamos encorajados por ver perspectivas económicas mais fortes no horizonte”, disse num comunicado o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim. “Agora, é hora de aproveitar esse impulso e aumentar os investimentos na infra-estrutura e nas pessoas”, concluiu.
Ainda assim, analistas dizem haver uma incerteza considerável em torno das previsões, que não incorporaram os efeitos de várias propostas de política do Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, que esperam incluir um aumento do estímulo fiscal, com reduções de impostos e com o aumento dos gastos em infra-estruturas, assim como uma postura mais proteccionista do comércio internacional.
O Banco Mundial prevê que os EUA venham a crescer 2,2 por cento em 2017, contra os 1,6 em 2016. Mas, estima que o aumento pode ser consideravelmente maior e pode causar efeitos muito além das fronteiras norte-americanas.
“Um crescimento maior dos EUA, seja devido a políticas fiscais expansionistas ou por outras razões, pode fornecer um impulso significativo para a economia global”, diz o Banco Mundial. Contudo, refere o banco, isso pode levar a taxas de juros mais altas e a condições financeiras mais apertadas, que teriam efeitos adversos em alguns países emergentes que dependem fortemente do financiamento externo. O Banco Mundial acrescenta que a incerteza persistente em relação à política económica dos Estados Unidos pode pesar sobre o crescimento global, ao adiar as decisões de investimento até que haja mais clareza.
O Banco Mundial perspectiva que o crescimento da China continue a desacelerar para 6,2 por cento em 2017, diante dos 6,7 obtidos no ano passado, mas o crescimento deve ser maior em algumas economias do sudeste asiático, incluindo na Indonésia e na Tailândia. O forte crescimento da Índia deve acelerar para 7,6 por cento em 2017, dos sete alcançados em 2016, à medida que as reformas aliviam os problemas na oferta doméstica e aumentam a produtividade.

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