Economia

Disputa comercial afecta crescimento económico

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, alertou para o impacto da guerra comercial sobre o crescimento económico mundial.

Fotografia: DR

“No pior dos casos, as medidas comerciais actuais poderão significar uma baixa de 0,5 pontos do PIB mundial”,declarou Lagarde, no encontro de ministros das finanças e governadores de bancos centrais das maiores economias mundiais ( G-20) que terminou ontem,em Buenos Aires.
Os Estados Unidos endureceram a  política comercial nos últimos meses, erguendo barreiras aduaneiras e ameaçando com sanções os países que têm trocas comerciais com o Irão.
“Esta guerra comercial fará apenas perdedores, destruirá empregos e pesará no crescimento mundial. Queremos chamar os Estados Unidos à razão, para que respeitem as regras multilaterais e os seus aliados”, disse o ministro francês da Economia e das Finanças, Bruno le Maire.
Por outro lado, o secretário norte-americano do Tesouro, Steven Mnuchin,apelou a China e aos Estados Unidos  que façam concessões no sentido de se chegar a uma relação comercial mais equilibrada, após as declarações incendiárias de Donald Trump que tratou Pequim, Bruxelas e Moscovo como “inimigos comerciais”.
Os Estados Unidos estão empenhados em reduzir o défice comercial com a China (376 mil milhões de dólares em 2017) e Trump ameaçou impor tarifas sobre todas as importações chinesas, que somaram 500 mil milhões de dólares no ano passado.
Mnuchin reforçou as observações do Presidente dos EUA, afirmando que esta era “uma possibilidade realista”. “Fomos muito claros sobre nossos objetivos”, acrescentou.
Para os europeus, Steven Mnuchin, renovou a mensagem norte-americana entregue no G7: “Se a Europa acredita no livre comércio, estamos prontos a assinar um acordo de livre comércio sem direitos alfandegários ou subsídios”.
Pequim acusa Washington de querer provocar “a pior guerra comercial da história económica” e retaliou impondo tarifas sobre os produtos norte-americanos.
No encontro estão previstas conversas bilaterais entre Mnuchin e seus pares franceses, alemães, japoneses, canadenses, sul-coreanos, italianos e mexicanos.
O protecionismo da Casa Branca afecta Pequim, mas também os seus principais parceiros, como a União Europeia, o Canadá e o México.
Numa tentativa de apaziguar as relações com os Estados Unidos, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, deve ir a Washington na quarta-feira, onde se encontrará com o Presidente dos Estados Unidos.
Segundo a chanceler alemã, Angela Merkel, a Europa está “pronta para responder” se os Estados Unidos aumentarem os seus impostos sobre as importações de veículos europeus, uma preocupação importante para os fabricantes alemães.
O G20 abordou no fim de semana as ameaças ao crescimento global e o risco de crise nos países emergentes, bem como a tributação dos gigantes digitais, que atualmente são pouco tributados.

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