Economia

Eximbank reconfigura cooperação com Angola

Madalena José

O Banco da China, o Eximbank, está a reconfigurar a cooperação com Angola, para apoiar mais o comércio e os investimentos, através do financiamento de projectos do sector privado, da promoção de parcerias entre empresários de outros países e do apoio a parcerias público-privadas, informou quarta-feira, em Lisboa, Hu Xiaolian, a presidente do Conselho de Administração do banco.

Fotografia: DR

Num encontro com o secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria de Angola, António Tiago Go-mes, Hu Xiaolian sustentou que a nova parceria é um modelo diferente de cooperação que era baseado na relação com o Estado e destinado à construção de infra-estruturas, nomeadamente estradas, pontes e hidroeléctricas, cujos financiamentos tinham como garantia o fornecimento de petróleo.
A decisão de optar por um novo modelo de cooperação focado no financiamento ao sector privado baseou-se em dois pressupostos, como financiamento de infra-estruturas com períodos de reembolso muito prolongados, já que a construção implica tempos dilata-dos, e o outro motivo é a constatação de que o país está a enveredar por um endividamento crescente.
No encontro, a presidente do Conselho de Administração do Eximbank indagou sobre que sectores deveriam ser de interesse, segundo o estado actual do ambiente de negócios no país. Em resposta, António Tiago Gomes informou que há projectos das empresas do sector privado necessitadas de financiamento, no que diz respeito à infra-estruturas, como estradas, pontes, energia e água.
António Gomes citou al-guns municípios que carecem de investimentos e que não têm ligação com as capitais de província, por falta de estradas. Como exemplo, citou os municípios de  Calai e Cuangar, na província do Cuando Cubango, que para se ter acesso se transpõe a vizinha República da Namíbia.
Relativamente aos sectores prioritários, Tiago Go-mes  mencionou a agricultura, agro-indústria, minas, pescas e madeira, cuja política actual do Governo é fo-mentar o processamento, o reflorestamento e a indústria de mobiliário, além do incipiente sector do Turismo.
António Tiago Gomes actualizou também sobre o novo ambiente de negócios, que defende um novo paradigma de gestão dos interesses do Estado, comprometido com o desenvolvimento da boa governação, o combate a todas as formas de corrupção, o conflito de interesses, o nepotismo e o suborno. A aprovação da nova Lei do Investimento Privado elimina a condicionante da parceria com o empresário local para os empresários estrangeiros investirem e também retira a obrigatoriedade de um milhão de dólares para o capital mínimo de investimento, aludiu.
Também António Gomes deu detalhes sobre a aprovada Lei da Concorrência, um instrumento de combate aos monopólios e à evolução do sistema financeiro que hoje é constituído por três órgãos reguladores - o Banco Nacional de Angola, a Comissão de Mercado de Capitais e a Agência de Regulação de Seguros.
No final, as partes decidiram identificar projectos do sector privado, promover a constituição de parcerias e apoiar programas de formação, principalmente de aprendizagem das línguas portuguesa e chinesa, para a remoção da barreira das línguas na comunicação.
Hu Xiaolian garantiu a realização da próxima cimeira China-África em Setembro, em Beijing, e em Novembro será organizada uma feira de exposição de produtos de exportação, plataforma que deve estar disponível aos empresários angolanos para mostrarem o que têm.

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