Economia

Banco Africano promete ajudar na redução do défice orçamental

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) vai aprovar, até Setembro, um apoio orçamental a Angola, destinado a reduzir o défice das contas do Estado, juntando-se, assim, aos esforços do Banco Mundial para equilibrar as contas públicas.

Instituição financeira africana gere em Angola uma carteira de 800 milhões de dólares
Fotografia: DR

A informação foi prestada pelo representante do BAD em Angola, Joseph Ribeiro, à margem dos Encontros Anuais do Banco Africano de Desenvolvimento, que terminaram na sexta-feira em Malabo, capital da Guiné Equatorial.
“Temos em carteira investimentos no que diz respeito ao apoio orçamental que está em consideração, dado o ambiente positivo com o FMI, e dado o facto de o Banco Mundial dever aprovar no início de Julho um programa de apoio orçamental, e nós também estamos a trabalhar neste objectivo, e se tudo correr bem podemos concretizar a nossa parte de apoio orçamental para fechar o défice orçamental”, disse o representante do BAD em Angola.
Joseph Ribeiro disse não poder avançar o valor concreto do apoio por ainda estar em discussão interna, mas disse que este empréstimo “vai ajudar a colmatar bastante o défice” das contas públicas, que o Governo prevê reduzir para zero ainda durante este ano.
“É difícil dizer que vamos eliminar completamente o défice orçamental de Angola, mas vamos fazer o nosso máximo, o BAD não pode fazer tanto como gostava em termos de apoio orçamental porque estamos num ano em que queremos ter o aumento geral de capital e isso só se pode conseguir se tivermos atenção aos rácios prudenciais e aos indicadores de desempenho em que somos avaliados enquanto instituição financeira”, explicou.
Na entrevista à Lusa, Joseph Ribeiro disse que o relacionamento entre o BAD e o Governo mudou desde a chegada de João Lourenço ao poder. “Temos tido nos últimos dois anos, devo dizer, uma maior receptividade por parte das autoridades angolanas em termos de diálogo no dia-a- dia, tanto no Ministério das Finanças como nos ministério sectoriais”, apontou o responsável, reforçando que “desde 2017, com o novo Governo, houve muitas mudanças positivas e há uma tendência muito positiva, o país está ciente da necessidade de colaborar com o mundo”.
Angola, continuou, “pode absorver bastantes investimentos por parte do BAD”, que gere uma carteira de 800 milhões de dólares que deverá ser ultrapassada. Questionado sobre as áreas em que o BAD vai apostar em Angola, Joseph Ribeiro respondeu que aquela instituição financeira está a olhar, com particular atenção, para o sector da Energia. “Queremos levar a energia hidroeléctrica mais para Sul do país, o que traz oportunidades para investimentos, industrialização e trabalho nas zonas mineiras”, disse.
Para além disso, continuou, estão em curso estudos para a área da água e saneamento, e em conjunto com o Banco Mundial, o BAD está a trabalhar “para entrar com parceiras público-privadas na gestão das águas na província de Cabinda”.

País precisa de ser mais competitivo

Ainda em Malabo, o director do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para a África Austral, reconheceu que as políticas implementadas nos últimos dois anos em Angola estão a empurrar a economia na direcção certa, ressaltando, no entanto, ser necessário “fazer mais”, para gerar mais postos de trabalho.
Kapil Kapoor disse que, apesar de estar no bom caminho, Angola precisa de ser mais competitiva para criar mais emprego para os jovens, elogiando o Governo pelas reformas. Para virar uma economia tão dependente do petróleo são precisos vários anos, basta olhar para os outros países no mundo que o tentaram fazer”, afirmou, acrescentando que “os desafios da economia angolana têm a ver com a competitividade e a capacidade de gerar o tipo de crescimento que gera empregos”.
Para Kapil Kapoor, “o que Angola precisa de fazer muito mais é tentar aumentar a competitividade, particularmente nos sectores que podem empregar os jovens, mas o que está a acontecer é que os jovens não estão a conseguir encontrar empregos”, salientou.

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