Economia

Banco Nacional de Angola mantém juros inalterados

O Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola manteve a Taxa BNA em 15,75 por cento, dois meses depois de a ter cortado em 0,50 pontos percentuais, no que foi visto pelo mercado com o prelúdio de um processo de alívio da política monetária.

Sala do BNA onde se realizam as reuniões do Comité de Política Monetária
Fotografia: DRDombele Bernardo | Edições Novembro

O CPM decidiu também manter a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez em 0,00 por cento e os coeficientes das Reservas Obrigatórias em moeda nacional em 17 por cento e 15 por cento em moeda estrangeira, de acordo com um comunicado emitido no fim da reunião bimensal, realizada na sexta-feira.
O documento atribui as decisões a factores como a taxa de inflação, que assinala que deve manter a tendência para a queda observada nos últimos meses, bem como a perspectiva de evolução positiva do sector real.
Em Fevereiro, em cujos indicadores se basearam as decisões, o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) apresentou uma variação mensal de 1,04 por cento, inferior à registada no mês anterior (1,14 por cento) e uma variação homóloga de 17,96 por cento, igualmente inferior à observada no período anterior (18,22 por cento).
Entre Janeiro e Fevereiro, no mercado monetário interbancário foi transaccionado um fluxo total de 261,19 mil milhões de kwanzas, representando um aumento de 192,29 mil milhões, mais 279,09 frente ao período anterior.
Segundo o BNA, a LUIBOR, na maturidade overnight, situou-se em 15,75 por cento, o que representou uma diminui-
ção de 1,00 ponto percentual face ao início do ano.
O agregado monetário M2 em moeda nacional, que congrega a totalidade dos depósitos bancários em moeda nacional e as notas e moedas em poder do público, registou uma variação positiva de 75,11 mil milhões kwanzas em relação ao nível observado em Janeiro de 2019, tendo passado de 4,42 biliões de kwanzas para 4,49 biliões de kwanzas em Fevereiro de 2019, o que corresponde a um aumento de 1,7 por cento. Nos últimos 12 meses, este indicador variou positivamente em 1,04 por cento. Segundo o comunicado, o stock do crédito em moeda nacional registou uma contracção mensal de 0,11 por cento, face à expansão de 0,40 no mês de Janeiro. Nos últimos 12 meses, decresceu em torno dos 2,41.

Empréstimos e câmbio

Considerando que os sectores de comércio, actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às empresas continuam a ser os que mais beneficiam da concessão de crédito, o CPM defendeu que devem ser adoptadas medidas que propiciem o aumento do crédito ao sector primário, sobretudo na produção de bens que compõem a cesta básica.
Nos dois primeiros meses de 2019, o BNA vendeu ao mercado um montante total de 1.425,17 milhões de dólares através dos bancos comerciais, contra 2.185,10 milhões de dólares nos últimos dois meses de 2018.
Comparado ao período homólogo, no qual foram vendidos 1.831,49 milhões de dólares, houve uma diminuição de 22,18 por cento.
Em Janeiro, a conta de bens registou um saldo deficitário de 224,96 milhões de dólares, sendo que o valor total das exportações foi de 2,64 mil milhões de dólares e o das importações de 2,87 mil milhões de dólares.
Em Fevereiro a conta de bens registou um excedente de 1,62 mil milhões de dólares. As importações situaram-se em 926,07 milhões de dólares e as exportações em 2,55 mil milhões.
Assim, nos dois primeiros meses do ano, a conta de bens registou uma redução de 64,68 por cento face aos dois meses anteriores (Novembro e Dezembro).
As Reservas Internacionais Brutas (RIB) situaram-se em 15,99 mil milhões de dólares em Fevereiro de 2019, representando um grau de cobertura de importações de bens e serviços de 8,77 meses.

Tempo

Multimédia