Economia

Banco da África do Sul prevê saída da recessão

O departamento de análise do Standard Bank prevê que Angola sai da recessão em que esteve em 2016, com a economia a acelerar ligeiramente para taxas de crescimento inferiores a 1,00 por cento este ano e a 2,00 por cento em 2018.

Investimentos do Governo em infra-estruturas e criação de emprego vitalizaram a economia
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

De acordo com uma análise às economias africanas, feita pelo sul-africano Standard Bank, “o crescimento do PIB real em Angola deverá continuar limitado, bem abaixo dos 1,00 por cento em 2017 e abaixo de 2,00 por cento em 2018, com a economia possivelmente.”
Na parte referente a Angola, os analistas do Standard Bank dizem que o pico da recessão deve ter acontecido no ano passado, citando os últimos dados disponíveis do Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao terceiro trimestre de 2016 - o INE ainda não divulgou os dados sobre o último trimestre de 2016, o que impede que se saiba o valor real do crescimento económico ou recessão do país no ano passado.
“Uma escassez severa de liquidez de moeda estrangeira devido ao lento ajustamento da economia ao colapso dos preços do petróleo em meados de 2014, combinada com uma subida da inflação e uma procura interna restringida pela despesa pública e pelas exportações contribuíram para uma forte recessão da economia durante 2016”, escrevem os analistas.
Este ano, notam, o panorama é diferente, pois “as condições de liquidez no mercado da moeda externa desde o princípio do ano, combinadas com um abrandamento da inflação e um aumento da despesa do Governo, essencialmente destinada a acelerar várias infra-estruturas e projectos sociais nas vésperas das eleições de Agosto, deram um impulso à economia.”
O crescimento, advertem, deverá continuar ligeiro devido ao “aumento limitado da produção do petróleo, fracas perspectivas para um crescimento sustentado dos preços do petróleo e ao progresso lento da diversificação económica.”
Diversificar a economia do petróleo, dizem os analistas do departamento de pesquisa do Standard Bank, “está a ser difícil”, com o petróleo a continuar a representar mais de 90 por cento das exportações, apesar de a quota das receitas fiscais ter descido, de 75 por cento em 2013, para menos de 50 actualmente.
“Um investimento limitado, más condições de operação, uma queda na produção dos poços maduros e a possibilidade de mais quotas da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) vão provavelmente limitar a produção de petróleo, o que reforça a ideia de que o crescimento vai continuar baixo durante mais tempo”, afirma o documento.
A análise alerta para o perigo de este cenário económico levar as autoridades a caírem na “armadilha da dívida alta e crescimento baixo se não forem tomadas medidas correctivas.”
O Fundo Monetário Internacional (FMI) e a agência de notação financeira Moody's antecipam uma recessão de 0,7 por cento no ano passado, mas o Presidente da República, João Lourenço, declarou no discurso do “Estado da Nação, pronunciado em Outubro”, que o crescimento económico do ano passado se situou em 0,1 pontos percentuais..
Além de sublinhar a desaceleração do PIB, o Presidente da República referiu, entre os indicadores da crise económica, o facto da taxa de inflação ter disparado para 42 por cento em 2016 e a previsão de que atinja os 23 por cento este ano.
“Estamos a viver, portanto, uma situação de baixo crescimento económico, associado a altas taxas de variação do nível geral de preços na economia”, salientou naquele discurso o chefe de Estado angolano, numa declaração que coindide com a análise do Standatd Bank sobre a evolução da economia angolana ao longo de 2016 e 2017.

Tempo

Multimédia