Economia

Banco público retoma o crédito

O Banco de Poupança e Crédito (BPC), instituição financeira de capitais públicos, retoma em breve a concessão de créditos a empresas e particulares, anunciou o presidente da comissão executiva da instituição, Zinho Baptista, domingo, em Paris.

BPC em processo de reestruturação vai receber milhões de dólares em dinheiro fresco através da emissão de Obrigações do Tesouro
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Zinho Baptista acrescentou que o BPC vai adoptar regras de controlo mais rígidas no processo de concessão de crédito tanto a pessoas colectivas como a singulares e a adopção de regras de controlo impondo uma maior responsabilização aos tomadores de créditos, para que o utilizem de uma forma correcta.
O administrador do BPC, que na capital francesa fez parte de uma delegação chefiada pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Valter Filipe, adiantou que mal o trabalho fique concluído “daremos a conhecer os critérios que o BPC desenhou para que os cidadãos e as empresas ocorram ao crédito bancário.”
O BPC, o maior banco comercial de Angola, vai ter o seu capital social aumentado através da entrada de 67.500 milhões de kwanzas (405 milhões de dólares) em dinheiro fresco a ser obtido através da emissão de Obrigações do Tesouro (OT).
O BPC anunciou em meados de 2015 a suspensão da concessão de crédito à economia, tendo sido na altura apresentadas como razões a redução de recursos devido à baixa do preço do petróleo no mercado internacional. Naquele período, o Estado passou a arrecadar menos receitas com a venda do petróleo e, por via disso, poucos fundos passaram a estar disponíveis no BPC, maior operador do Estado, para emprestar às empresas e famílias e que apresenta a mais elevada taxa de crédito malparado (23 por cento)  ou vencido a mais de 90 dias do sistema financeiro angolano.
“Um banco comercial existe para conceder crédito, se fica sem conceder crédito então não existe”, ressaltou o gestor quando falava à imprensa, após encontro com parceiros e bancos correspondentes franceses.

Restruturação do BPC

A grande preocupação com a reestruturação do banco versa sobre a adequação da sua conduta às regras internacionais de boas práticas de gestão corporativa, com destaque para as questões ligadas ao compliance ou normas de conformidade.
“É preciso passar a ideia que em Angola também se cumprem regras. Viemos a França para transmitir essa mensagem”, declarou Zinho Baptista.
Realçou que a cultura do uso do dinheiro (cédulas) tem que ser reduzida e aos poucos abandonada.  O gestor do BPC, no cargo há sete meses, disse que dos bancos franceses receberam o conselho de que é urgente evoluir para a banca digital e electrónica, a fim de permitir monitorizar as operações dos clientes.
“Isso não significa cortar a liberdade dos clientes no uso dos seus  bens, disse, sublinhando que esse processo regula a utilização desses bens para que não potencie  o pagamento de operações suspeitas e que configurem lavagem de dinheiro ou potenciem o apoio ao terrorismo. O BPC tem como accionistas o Ministério das Finanças, em representação do Estado angolano, a Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas e o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).

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