Economia

BCI anuncia recuperação e distribuição de dividendos

Cristóvão Neto |

O Banco de Comércio e Indústria (BCI) consolidou em 2017 um processo de saneamento financeiro iniciado em 2011 com sucessivas quedas dos resultados, prevendo para 2017 lucros situados acima dos 500 milhões de kwanzas (2,8 milhões de dólares), soube ontem o Jornal de Angola de fontes da instituição.

Filomeno Ceita (centro) e outros administradores do BCI falam ao Jornal de Angola
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Numa entrevista com  o Conselho de Administração, Leão Peres, administrador para a área de contabilidade e finanças, lembrou que o resultado líquido do banco ascendeu aos 507, 162 milhões de kwanzas em 2016, depois do banco ter registado um saldo negativo de algo mais que 2.308 milhões de kwanzas em 2015.
Leão Peres declarou que o BCI espera, agora, que o resultado de 2017 supere o do ano anterior, com o que se consolida a recuperação e se preconiza um prazo de um ano para que o banco retome a distribuição de lucros e dividendos entre os trabalhadores e os accionistas.
A divisão desses proveitos foi interrompida por “imperativos legais” durante o período de saneamento, quando os resultados eram negativos, e ao longo de 2016, quando iniciou a recuperação, mas o banco se viu obrigado a utilizar os lucros para cobrir os prejuízos de cinco anos consecutivos de perdas, concordaram em declarar os administradores do BCI.
“Há um imperativo legal que não permite a distribuição de dividendos entre os accionistas, nem dos lucros entre os trabalhadores, para mitigar os prejuízos acumulados”, afirmou Leão Peres.
O presidente do conselho de administração, Filomeno Ceita, recordou, para explicar os números negativos observados entre 2011 e 2015, que, naquele primeiro ano, quando a actual liderança assumiu o banco, o BCI acabava de publicar um relatório e contas a anunciar um lucro de 16 milhões de dólares.
Uma rápida verificação levada a cabo pela sua administração veio a apurar que, afinal, o banco tinha créditos do equivalente a 50 milhões de dólares por regularizar, uns 52 milhões de dólares em crédito congelado - quando o beneficiário recebe os fundos, mas não paga mensalidades nem quaisquer outras obrigações - e práticas reiteradas de refinanciamento administrativo para solucionar as imparidades.
Com essa prática, apontou Filomeno Ceita, sempre que a carteira de crédito disparasse, o banco maquinava “para que tudo ficasse como se nada tivesse acontecido” - o que só era possível falseando os números - em operações de que não se dava conhecimento aos clientes.
O abandono destas práticas levou a que, logo em 2011, o resultado, depurado das velhas práticos, caiu para níveis negativos de 47.575 milhões de kwanzas, para 30.723 milhões em 2013 e para 2.308 milhões em 2015, ascendendo  para mais de 500 milhões em 2016.

Privatização e desempenho

Leão Peres atribuiu essa evolução ao saneamento, com o que Filomeno Ceita concordou ao afirmar que, apoios institucionais, como a recapitalização levada a cabo pelo Executivo e que ocorreu até ao ano passado, tiveram pouco peso na evolução positiva do banco.
 O presidente do conselho de administração e a administradora para a área comercial e marketing, Maria do Carmo Bernardo,  revezaram-se a descrever a última recapitalização, um desembolso de 12 mil milhões de kwanzas em Obrigações do Tesouro a 25 anos e juros semestrais de 2,5 por cento, pouco relevante para a operações do banco.
As “performances” dos anos posteriores a 2010, declarou o presidente do conselho de administração, descartam os rumores de privatização, “uma questão que paira permanentemente sobre o BCI por serem dois bancos públicos” a operarem no mercado angolano.
Nesse período, o banco utilizou fundos próprios para se assumir como um instrumento válido da intervenção do Estado, financiando programas como o Angola Investe - no qual comprometeu três mil milhões de kwanzas até ano em curso -, Projovem, Meu Negócio Minha Vida, Crédito Amigo e outros.
Filomeno Ceita considerou que o desempenho do BCI também desacredita informações veiculadas nas últimas semanas em certos sectores da opinião pública a alegar “má gestão, falência técnica do banco, despedimento de 1.200 guardas e não prestação de contas”.

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