Economia

BDA começa a emprestar às cooperativas agrícolas

Helder Jeremias

O Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) inicia, nos próximos dias, a concessão de crédito a cooperativas agro-pecuárias nacionais, no quadro de uma linha avaliada em mais de 40 mil milhões de kwanzas, instituída no quadro das políticas de alívio dos efeitos negativos da pandemia da Covid-19 na economia.

Henda Inglês (ao centro) prevê impacto positivo do crédito nas cooperativas visitadas
Fotografia: Alberto Pedro | Edições Novembro

A revelação foi feita ontem pelo presidente do Conselho de Administração do BDA, Henda Inglês, no final de visitas às cooperativas agrícolas Kiandala e Patrice Lumumba, localizadas nos municípios de Viana e de Belas, respectivamente, durante as quais foram feitos levantamentos das dificuldades com que se deparam no desempenho da actividade produtiva.

Acompanhado da directora de Organização e Análise de Projectos do BDA, Patrícia de Almeida, o presidente da UNACA, Albano Lussati, e outros representantes da banca e da agropecuária, Henda Inglês fez uma avaliação positiva da viabilidade dos empréstimos às duas cooperativas, caso melhorem os métodos de produção.

Em declarações à imprensa, Henda Inglês disse que a visita serviu para aferir as necessidades particulares de cada cooperativa e, em função da análise, definir o tipo de financiamento a ser atribuído, na medida em que cada uma tem as suas especificidades, mas qualquer uma delas será contemplada com créditos bonificados e outros financiamentos.

O responsável garantiu que as duas cooperativas recebem os financiamentos “dentro de poucos dias” e que, além destas, são contempladas outras cooperativas existentes no país, numa operação em que, a cada província, é destinado um fundo de 750 milhões de kwanzas para um universo de 15 unidades.

“A concessão dos financiamentos é uma medida tomada pelo Executivo para alavancar a economia real, o que significa que a aprovação vigora desde o Decreto Presidencial. O que fizemos é uma avaliação destes projectos, assim como os demais têm estado a ser avaliados: agora, trata-se do início da fase de operacionalização do processo”, disse Henda Inglês.

Beneficiários expectantes
Por seu lado, o presidente UNACA, Albano Lussati informou que cada cooperativa poderá beneficiar de um crédito avaliado em 50 milhões de kwanzas, um valor que, em sua opinião “vai se reflectir no substancial aumento da produção nacional, de maneira a que este sector passe a ter um peso significativo no Produto Interno Bruto e na formação de receitas para o Orçamento Geral do Estado, assim como no aumento das divisas provenientes da exportação dos excedentes”.

Albano Lussati recordou que o país já se tornou auto-suficiente em produtos como a banana, batata e ovos, facto que permite tirar ilações positivas sobre o projecto institucional de dinamização do sector agro-pecuário.

O presidente da cooperativa Patrício Lumumba, Armando Congo, além de referir as dificuldades com que opera, pediu ajuda para combater a invasão de terras, uma prática que, frisou, tem-se revelado “um tormento” para os membros da cooperativa que dirige, posto que os invasores usam a violência para se apoderarem de terrenos destinados a produção de alimentos e à criação de gado.

A cooperativa Kiandala, fundada em 2002, congrega 95 associados e especializa-se na produção de cereais, raízes, tubérculos, leguminosas, oleoginosas e horto-frutícolas, ao passo que a Patrice Lumumba, criada há 16 anos, conta com 600 membros efectivos e acima de 1.400 camponeses isolados.

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