Economia

Brazzaville negoceia dívida com empresas

A República do Congo tenta negociar com as multinacionais do sector da logística Trafigura e  Glencore, a sua dívida de algo mais de dois mil milhões de dólares (acima de 424 mil milhões de kwanzas), numa conjuntura marcada pelo encaminhamento da dívida externa para níveis insustentáveis.

Credores rejeitam novos termos para contratos assinados com o crude a 100 dólares
Fotografia: DR

Fontes da Reuters afirmam que Brazzaville pode ter solicitado a intervenção do Banco de Investimento Lazard para negociar a dívida com os seus credores, uma informação não confirmada nem desmentida pela instituição financeira.

A dívida do Congo estava avaliada, até finais de Julho de 2017, em 9,14 mil milhões de dólares (1,9 triliões de kwanzas), cerca de 110 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), com 2,3 mil milhões (487,7 mil milhões) a pertencerem à Trafigura e à Glencore.
Dividas que, na maior parte dos casos, foram contraídas em condições altamente desvantajosas, indiciando uma articulação entre os grandes credores mundiais e as multinacionais do petróleo.

Com os doadores internacionais de fundos a rejeitarem apoio aos países em dificuldades financeiras, empresas como a Trafigura e a Glencore aparecem sempre como grandes alternativas, manifestando a sua disponibilidade para oferecer o apoio que esses países precisam, em troca do acesso incondicional aos recursos naturais dos que, eventualmente, venham a beneficiar dos créditos.
A Glencore e a Trafigura, de acordo com a Reuters, rejeitaram fazer qualquer pronunciamento a respeito, o mesmo que o ministro das Finanças da Republica do Congo.
Com uma produção de 280 mil barris de petróleo por dia (bpd), a República do Congo tem uma economia fortemente dependente do petróleo e, em 2018, espera alcançar uma produção de 350 mil barris de petróleo por dia.

O drama do Chade
À semelhança do que acontece com o Congo, o Chade outro país com dívidas com a Trafigura e a Glencore, enfrenta pressão do fundo Monetário Internacional (FMI) para uma avaliação da dívida com os seus principais credores que, entretanto, rejeitam qualquer alteração das modalidades de crédito nas condições em que foram concedidos.
O Chade tem uma dívida com a Glencore avaliada em 1,45 mil milhões de dólares (307,4 mil milhões de kwanzas) e, nos termos dos acordos bilaterais assinados no tempo em que os preços do petróleo estavam acima dos 100 dólares, o crédito foi garantido pela multinacional com garantias petrolíferas chadianas.
A queda dos preços do crude despertou os países africanos para a necessidade de uma renegociação da dívida, com saídas que, ao que tudo indica, estão ainda muito longe do consenso
Iniciada em 2017, a segunda ronda das negociações entre o Chade e a Glencore ficou a meio depois do país ter ameaçado o corte do fornecimento do petróleo à Glencore, caso não se  conseguisse chegar a um acordo satisfatório para as duas partes. Na sexta-feira, a Reuters noticiou que a Glencore e quatro bancos chegaram a um acordo com o Chade sobre a reestruturação de um empréstimo de mais de mil milhões de dólares (mais de 212 mil milhões de kwanzas), depois de meses de negociações.
O empréstimo foi renegociado pela primeira vez em 2015, depois da queda dos preços do petróleo no mercado internacional, mas o país da África Central decidiu priorizar antes as suas próprias necessidades orçamentais, uma vez que a dívida absorve a maior parte dos rendimentos do petróleo, a principal fonte de receita do Chade.
O país obteve um empréstimo do Fundo Monetário Internacional em Junho do ano passado, mas o desembolso da maior parte desses fundos depende de uma segunda reestruturação da dívida, que a instituição financeira internacional considerava insustentável.

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