Economia

Cabo Verde e Moçambique entre os maiores devedores

Cabo Verde e Moçambique, dois países africanos de língua oficial portuguesa, registam a segunda e a terceira maior dívida pública da África Subsariana em 2018 e nas previsões até 2020, sendo apenas ultrapassados pela Eritreia.

Montantes das dívidas dos dois países africanos são superados apenas pelos da Eritreia
Fotografia: Dr

Num relatório apresentado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) com perspectivas económicas para a África Subsariana (um conjunto de 45 países), apenas três têm dívidas públicas maiores do que 100 por cento em 2018, sendo eles Moçambique (100,4), Cabo Verde (127,7) e Eritreia (129,4).
Os números apresentados no documento indicam que a dívida moçambicana irá crescer em quase 25 pontos percentuais desde o final do ano passado para o corrente, de 100,4 por cento para 124,5 por cento, o que vai representar a pior subida de dívida na região subsariana (região definida para as análises internacionais que engloba a quase totalidade do continente africano, excepto oito países africanos).
A dívida pública demonstra que Moçambique teve de pagar aos credores internacionais mais do que a capcidade de produzir no mesmo ano, sendo considerada insustentável pelas instituições multilaterais.
As previsões indicam que a capacidade moçambicana de saldar as dívidas será ainda mais fraca no próximo ano. Em 2020, a dívida moçambicana deverá situar-se em 119,9 por cento, segundo o FMI.
Já em 2018, Moçambique tinha registado a terceira maior dívida da região subsariana e assim deverá situar-se nos próximos dois anos.
A dívida moçambicana é ultrapassada por Cabo Verde, que teve 127,7 por cento de dívida em 2018, e pela Eritreia, pior país africano em matéria de dívida, devendo 129,4 por cento do Produto Interno Bruto em 2018.
Dos três países, Cabo Verde terá a melhor evolução até 2020, devendo descer para 125,3 por cento em 2019 e para 120,8 por cento no ano seguinte, o que significa uma queda de quase cinco pontos percentuais de 2019 para 2020, mas ficando, ainda assim, acima da dívida moçambicana prevista de 119,9 por cento em 2020.
O FMI classifica Cabo Verde um país de rendimento médio e Moçambique um país de baixo rendimento, sendo ambos integrados no grupo de países pobres em recursos naturais.
Apesar dos níveis muito elevados da dívida, Cabo Verde vai ter um crescimento previsto de 5 por cento no PIB em 2019, que deverá crescer 4 por cento e o da Eritreia também aumenta em 2019, mas 3,8 por cento.
O FMI conta com um crescimento médio de 3,5 por cento na África Subsariana este ano, mas salienta que a região tem grandes disparidades entre vários países.
Dos 45 países incluídos, 21 irão crescer a uma taxa de 5 por cento ou mais, enquanto 24, considerados dependentes de recursos naturais, vão ter crescimentos mais lentos.
A dívida pública é considerada pelo FMI um dos principais “pontos de pressão” nas economias, o que acarreta vários factores de vulnerabilidade.
O FMI considera que as razões para a contracção de dívidas variam de acordo com cada país, mas sintetizam-se em pontos como a necessidade de criação de infra-estruturas, alteração dos preços de matérias-primas entre 2014 e 2016 ou resultados de políticas pró-cíclicas.
O FMI e o Banco Mundial terminaram ontem, em Washington, as habituais Reuniões de Primavera, que acontecem todos os anos.

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