Economia

Caminho-de-Ferro de Benguela transporta mais minério da RDC

Cerca de 1.200 toneladas de cobre provenientes da República Democrática do Congo (RDC) chegaram no sábado ao Porto do Lobito, província de Benguela, de onde partem para a Bélgica.

Do Luau, onde é feito o transbordo da mercadoria, ao Lobito a viagem durou cerca de 36 horas
Fotografia: Miqueias Macangongo| Edições Novembro

Propriedade da empresa Access Word, o minério foi transportado de Kissengue, província congolesa de Katanga, num comboio da RDC até ao município do Luau, província do Moxico, onde foi feito o transbordo para os vagões do Caminho-de-Ferro de Benguela.
Ao intervir na cerimónia de recepção do minério na estação zero do CFB, o presidente do Conselho de Administração do Porto do Lobito, Agostinho Estêvão Felizardo, deu conta que o embarque da carga para a Bélgica será feito nos próximos dias, com a chegada de um navio que a vai transportar.
Agostinho Estêvão Felizardo não revelou os montantes envolvidos nas operações portuárias, salientando apenas que o Porto do Lobito reúne condições para operações desta envergadura.
“O Porto do Lobito está mais preocupado em mostrar aos operadores internacionais que está preparado para operações de cargas pesadas como o minério”, enfatizou o gestor.
Sobre o Porto Mineiro, afecto ao Porto do Lobito, aquele responsável disse que a sua operacionalidade vai ser ditada pela evolução do processo de transporte de cobre.
O presidente do Conselho de Administração do Caminho-de-Ferro de Benguela, Luís Lopes Teixeira, também se recusou a falar dos valores facturados pelo CFB com o transporte de minério, limitando-se a assinalar que a viagem do Luau a Lobito durou 36 horas.
Este é o segundo carregamento feito pelo Caminho-de-Ferro de Benguela, seis meses depois da reactivação do processo de escoamento de minério pelo Corredor do Lobito.
A 5 de Março deste ano chegava ao Lobito um comboio transportando 25 carruagens de 50 contentores com mil toneladas de manganês, também proveniente da RDC com destino à Índia, num acto marcado por forte emoção para destacar a concretização do reinício das operações internacionais do CFB.
O negócio remonta a Maio de 1931 mas foi interrompido poucos anos depois da proclamação da Independência Nacional, em consequência da guerra civil que se abateu sobre o país. Dados disponíveis indicam que em 1974, em véspera do fim da era colonial, o tráfego internacional já era responsável por 90 por cento das receitas do CFB, que chegou a transportar dez milhões de toneladas por ano.
Paralelamente ao negócio que envolve directamente a Sociedade Comercial de Kissengue Manganês da República Democrática do Congo e o Caminho-de-Ferro de Benguela, as autoridades provinciais do Moxico e de Katanga assinaram em 2004 um acordo que rege as relações comerciais entre os dois povos.
Ao abrigo deste acordo, as trocas comerciais entre as populações dos dois países constituem prática diária, supervisionadas pelas autoridades migratórias e tributárias. As trocas comerciais entre os dois povos consistem, essencialmente, no fornecimento pela RDC de produtos alimentares como bombó, amendoim e milho, enquanto que os angolanos fornecem bens industriais, sobretudo bebidas.
De um e outro lado, as populações fazem as trocas comerciais em kwanza, salvo raras excepções em que os congoleses utilizam o dólar norte-americano em Angola, onde adquirem a moeda nacional no mercado informal.
Luau é a última das 67 estações do CFB, incluindo apeadeiros construídos a partir do Lobito, num percurso de 1.344 quilómetros, passando pelas províncias angolanas de Benguela, Huambo, Bié e Moxico. 
Desde que o comboio retomou a circulação do Lobito ao Luau, verificam-se sinais de progresso ao longo das localidades em que atravessa, a começar pela circulação segura e barata das pessoas, passando pelo transporte de todo o tipo de mercadoria.

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