Economia

Carteira profissional vai sanear as más práticas

Ana Paulo

A Associação dos Profissionais Imobiliários de Angola (APIMA) defende a introdução da carteira profissional para a identificação dos operadores do sector, segundo o vice-presidente da organização que, em declarações ao Jornal de Angola, considerou os agentes não autorizados o principal constrangimento do mercado.

Vice-presidente da APIMA e empresário do sector imobiliário Massada Culembala
Fotografia: João Gomes| Edições Novembro

Massada Culembala, que é director -geral da Diakumbo Imobiliária, disse ser necessário que o Estado, enquanto entidade reguladora do sector, trace “estratégias fiáveis” para a criação da carteira profissional e a alteração do quadro do mercado imobiliário que, disse, vai de “mal a pior”.
“No terreno, os promotores imobiliários enfrentam grandes dificuldades devido ao crescente número de actores no mercado informal, que exercem a actividade sem cumprirem os requisitos obrigatórios”, sublinhou, indicando a falta de financiamento e a escassez de divisas como as principais dificuldades para a conclusão dos projectos paralisados.
O representante do BCI-Imobiliária João Manuel defendeu a definição das de áreas específicas de cada promotor imobiliário. “Os processos de angariamento, gestão e avaliação devem ser regulados pelo Ministério do Urbanismo e Habitação, através do Instituto Nacional de Habitação, já que, no sector imobiliário, existem avaliadores, angariadores e gestores de imóveis que devem ser identificados por áreas e por intermédio de uma carteira profissional”, adiantou.
Referiu que, até ao terceiro semestre deste ano, a procura no imobiliário registou aumento, mas que a falta de financiamento inviabilizou o atendimento da procura. “Foi feito um estudo de campo, cujos resultados indicaram, como principal regulador do processo de compra e venda de imóveis, o Instituto Nacional de Habitação, que tem a responsabilidade de organizar o mercado formal e informal”, recordou João Manuel, sublinhando que os “órgãos de tutela devem decidir sobre a participação dos cidadãos na intermediação, promoção e gestão de imóveis.
“Os actores que não cumprem os regulamentos são os que mais vendem imóveis e nós somos prejudicados”, lamentou, referindo estar em desenvolvimento um ante-projecto que vai levar a uma legislação em que sobressai a carteira profissional.
“O processo está a ser tratado junto do Ministério da Habitação e Urbanismo, APIMA, Fundo de Fomento a Habitação, Instituto Nacional de Habitação e outros parceiros”, sublinhou.
Para Cleber Coreia, da imobiliária PROIMÓVEL, a carteira profissional exigirá uma formação sólida nessa matéria. “O sector da intermediação foi muito negligenciado por falta de formação profissional, o que culminou com a desorganização no mercado” referiu.
Adiantou que, com a carteira profissional, os operadores vão conhecer conceitos como direito de superfície, registo predial, metragem quadrada de construção e terreno. “É fundamental que haja formação profissional com carteira de identificação para os promotores estarem preparados”, insistiu.

Terrenos Infra-estruturados

Os promotores imobiliários não estão de acordo com o preço estipulado pela Empresa Gestora de Terrenos Infra-estruturados (EGTI, EP) para os terrenos adjacentes ao Kilamba, segundo Massada Culembala, que sublinhou que o Estado inflaciona o mercado imobiliário, ao aplicar “preços exorbitantes” por metro quadrado.
Massada Culembala, profissional no imobiliário há 28 anos, explicou que o preço do metro cotado a 2.014 dólares é “muito caro”, pois representa um investimento de 138 mil dólares para o investidor imobiliário (cerca de 65 milhões de kwanzas) por parcela.
“Depois de comprado o terreno para a construção da casa, o promotor terá que aumentar os custos da construção da residência, que ronda mais de 17 a 25 milhões de kwanzas e quando forem concluídas as infra-estruturas, os gastos ultrapassarão os 70 milhões de kwanzas”, adiantou.

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