Economia

Comboios transportam minério para já uma vez por semana

Jesus Silva | Luau e Lobito

O Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) e a Sociedade Nacional do Caminho-de-Ferro do Congo (SNCC) concordaram em, numa primeira fase, realizar uma frequência semanal para o transporte de 50 contentores de manganês em 25 vagões da mina de Kissengue para o Porto do Lobito.

Representação do Congo Democrático na partida do primeiro comboio demonstra grande interesse no projecto
Fotografia: Jesus silva | Edições Novembro

O anúncio foi feito pelo presidente do Conselho de Administração (PCA) do CFB, Luís Teixeira,  que revelou que o Governo da República Democrática do Congo (RDC) manifestou a intenção de reforçar a operação com mais 50 vagões, o que significa, no futuro, cinco composições por semana.
O PCA do CFB também anunciou contactos com empresários congoleses afectos às minas de Coloese para que, nos próximos seis meses, seja iniciado o transporte de minério de cobre. “É o que nós pretendemos fazer”, afirmou Luís Teixeira para, em seguida, frisar a anuência angolana.
A companhia ferroviária angolana pretende envolver 20 maquinistas na operação para o Luau, para se juntarem aos 22 existentes - sete formados em 2008 e 15 em 2014 na escola profissional que a empresa tem na cidade do Huambo -, de acordo com informações obtidas de Manuel Macedo.
Maquinista reformado depois de servir os caminhos-de-ferro ao longo de 46 anos, actualmente a exercer a função de assessor do administrador para a Área Técnica do CFB, Manuel Macedo disse que a escassez de maquinistas está a obrigar os existentes que desempenham cargos de chefia a desdobrarem-se para comandarem também as máquinas modernas recentemente adquiridas à General Electric, um frabricante norte-americano.
“Neste momento, a em-presa possui mais máquinas que maquinistas, facto pelo qual vários apelos têm sido feitos para a formação de pelo menos 30, nos próximos anos, para que se possa fazer face às exigências”, frisou Manuel Macedo.
O PCA do CFB sublinhou que os angolanos e congoleses que participam nas operações “estão todos orgulhosos”, visto que conseguiram concluir uma etapa há muito esperada, tendo em conta que, atingir o tráfego internacional é o que todas as companhias ferroviárias desejam.
A amplitude da operação congolesa do CFB tem dimensões expressivas, tendo em conta os números avançados pelo vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes da RDC, José Sumanda, no acto que marcou o início dos carregamentos de minério, na segunda-feira.

Investimento angolano

José Sumanda notou que, com uma superfície de 2.345.309 quilómetros quadrados e uma população de 90 milhões de habitantes, o Congo Democrático tem uma rede ferroviária de quatro mil quilómetros que interliga as povoações e pólos económicos da maior parte do país, de onde Angola pode esperar importantes fluxos económicos.
Os congoleses podem, ainda, utilizar o Corredor do Lobito - uma plataforma de transportes e logística que integra o CFB, Porto Comercial do Lobito e o Aeroporto Internacional de Catumbela -, como a via mais curta para a evacuação de minérios e outros produtos de exportação.
Ontem, uma composição de 25 vagões do CFB chegou ao Porto do Lobito, um dia e meio depois de ter partido do Luau com 50 contentores com mil toneladas de concentrado de manganês da Sociedade Comercial de Kissengue, na retomada dessas operações, interrompidas há 36 anos.
O Governo angolano fez um grande investimento na modernização e reabilitação de toda a infra-estrutura do Caminho-de-Ferro de Benguela para garantir maior eficácia no transporte de mercadorias e responder positivamente ao elevado número de solicitações de empresários que pretendem exportar produtos das regiões do Congo Democrático ricas em minérios.
A reabilitação geral do CFB ficou orçada em cerca de dois mil milhões de dólares norte-americanos e envolveu a renovação e modernização total da via (1.344 quilómetros), reabilitação de pontes, construção de apeadeiros e a edificação de 67 estações.
A empreitada consistiu, ainda, na reabilitação das antigas estações de caminhos-de-ferro, instalação de novos sistemas de comunicações - incluindo cabos de fibra-óptica - e de controlo da circulação, renovação do material circulante com a aquisição de 48 locomotivas novas, 95 carruagens, vagões, criação de oficinas e um centro de formação profissional.

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