Economia

Comércio em kwanzas e rands

Victorino Joaquim

Os bancos e outras instituições financeiras da África Austral estudam a possibilidade de serem utilizadas as moedas rand e kwanza nas transacções comerciais entre Angola e a África do Sul, informou ontem, em Luanda, a responsável do Departamento do Comércio e Indústria sul-africano, Zanele Sanni, ao discursar no Fórum de Agronegócios promovido pela Câmara de Comércio e Indústria dos dois países.

Zanele Sanni garantiu que a África do Sul tudo faz, para ajudar Angola na falta de cambiais
Fotografia: José Cola|Edições Novembro

Zanele Sanni disse que os bancos e instituições de financiamento regionais estão a trabalhar para definir os mecanismos que devem ajudar as transacções comerciais entre as duas moedas. Uma das recomendações tomadas por estas instituições, disse Zanele Sanni, é a utilização do rand e do kwanza como moeda de troca, em vez de se utilizar uma outra moeda de referência internacional.
Zanele Sanni garantiu que a África do Sul tudo faz, para ajudar Angola na falta de cambiais. Referindo-se ao Fórum de Agronegócios, Zanele Sanni disse que o evento se realiza  num momento muito importante.
Os especialistas internacionais ligados ao desenvolvimento económico afirmaram que em 2018, o sector mundial deve exceder 1,8 triliões de dólares. Os países em desenvolvimento, particularmente Angola e a África do Sul podem não fazer parte deste crescimento. Zanele Sanni referiu que “estes países não fazem parte do crescimento, por serem países que estão muito dependentes das matérias-primas, principalmente o petróleo.
Os especialistas disseram ainda que a dependência pelas matérias-primas tem estado a impedir o desenvolvimento e arruinar países. Por esse facto, Angola e a África do Sul devem estabelecer estratégia, “para sairmos des-ta situação”, segundo Zanele Sanni, “uma das formas para se ultrapassar este desafio é estabelecer um investimento intenso na agricultu-ra e no sector de processa-
mento agrário”.
Quanto a cooperação Sul-Sul, Zanele Sanni disse que a União Africana já concordou com as diversas recomendações dos especialistas. A União Africana mencionou que o crescimento comercial em África aumentou 15 por cento em 2016 e, apesar deste crescimento, em 2017 o continente não atingiu a meta de 20 por cento proposto pelo fórum de Malabo, que definiu esse indicador como um dos objectivos a atingir em 2020.
Segundo Zanele Sanni, os 15 por centos do crescimento comercial apenas dizem respeito aos países da região austral, mais concretamente a África do Sul.

Caminhos para Angola
No que se refere aos produtos de Angola para a exportação, Zanele Sanni adiantou que o departamento comercial do Governo sul-africano vai prestar ajuda na identificação dos melhores mercados.
Zanele Sanni apontou três condições para que Angola possa contar com o apoio dos países em que poderá exportar. Na primeira, o Go-verno angolano deve assinar um compromisso que se baseia na obediência as boas práticas e ter de respeitar a lei do território em que se esteja a trabalhar, estabelecer negócios de boa-fé e cumprir com a responsabilidade social
Na segunda condição, Angola deve participar em fóruns sobre troca de experiências e de “now how” entre os parceiros, além de desenvolver a transferência de tecnologia e geração de empregos para a comunidade local. A terceira condição é o dever de Angola cumprir com o pedido que lhe for feito, em benefício da família. Trata-se de uma condição pessoal que, caso Angola não cumpra, pode ficar por sua conta e com todos os riscos.
Mencionando o Presidente João Lourenço, Zanele Sanni disse que “o povo deve recordar-se das receitas resultantes da produção e exportação de vegetais e frutas originárias do Cuanza-Sul”. Também, fez menção ao milho e trigo que pode ser produzido na província de Benguela e noutras províncias e com os resultados dessa produção as pro-
víncias contribuírem para a redução ou fim da carência alimentar na região.
Os dois governos vão trabalhar juntos para que possam garantir o desenvolvimento de ambos países. A responsável do Departamento do Comércio e Indústria sul-africano sublinhou que “vamos trabalhar, para que se possa mobilizar fundos a partir das instituições financeiras  e, com isso, a África do Sul apoiar Angola na realização de estudos de viabilidade económica antes da implementação de qualquer projecto.

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