Economia

Conjuntura económica não ameaça o curso do kwanza

Cristóvão Neto

O BNA declarou que não se vislumbra qualquer cenário de deterioração da economia que eleve o câmbio para níveis insustentáveis e afastou receios levantados em círculos empresariais de Luanda que, nas últimas semanas, apontam para a previsão de uma taxa de mil kwanzas por dólar até ao fim do ano.

Fotografia: DR

Em respostas enviadas à nossa redacção para explicar a evolução do câmbio, o BNA insistiu em que, “por enquanto, não há a percepção” de uma escalada dos dólar e do euro diante da moeda nacional, admitindo intervir no mercado cambial através da injecção de mais liquidez em moeda externa ou por via de uma política monetária mais restritiva, caso o curso do kwanza se revele insustentável.

O banco central reconheceu um crescimento do diferencial entre as taxas de câmbio do mercado formal e as do informal posterior à primeira quinzena de Abril, quando de valores mínimos de 6,3 e 1,2 por cento face ao dólar e ao euro, respectivamente, o gap que separa a negociação das duas moedas num e noutro mercado encerrou o primeiro semestre a 29 e 22 por cento.

Mas, indicam os números fornecidos pelo BNA, o diferencial do câmbio entre os dois mercados nos seis primeiros meses do ano manteve-se abaixo do verificado no mesmo período do ano passado, quando se situou em 36 por centro em relação ao dólar e 28 face ao euro.
“A tendência decrescente do diferencial cambial foi interrompida em Abril de 2020 devido a vários factores, nomeadamente, a queda abrupta do preço de petróleo nos mercados internacionais, o impacto negativo da COVID-19 sobre a economia angolana e as restrições impostas sobre a actividade económica no âmbito do Estado de Emergência”, declara o BNA para explicar o comportamento do kwanza.
O novo regime cambial, considera, implica que o comportamento da taxa de câmbio seja determinado pelo mercado ou pela procura e a oferta da moeda, o que faz com que, num contexto de escassez de recursos cambiais, é normal haver uma depreciação da moeda nacional capaz de alargar o diferencial cambial.

O BNA também lembra que “a taxa de câmbio nos diferentes mercados já registava um movimento menos assinalável e uma depreciação branda”, o que foi interrompido pela redução dos preços das matérias-primas para mínimos desde a 2ª Guerra Mundial, “pressionando negativamente a evolução da taxa de câmbio”, com efeitos sobre outras variáveis como o quadro fiscal e do sector real da economia.
“Não se deve negligenciar que a taxa de câmbio de um país está sempre associada ao desempenho da economia e da capacidade produtiva”, nota o banco central, defendendo a manutenção do regime cambial flexível como opção vantajosa, “por permitir ao próprio mercado corrigir as distorções”.

 

Tempo

Multimédia