Economia

Consultores explicam aceleração económica

A consultora BMI Research considerou ontem que o crescimento económico que prevê para Angola em 2018, de 4,1 por cento, está “marcadamente acima” do consenso dos analistas, que estimam uma expansão de apenas 2,00 por cento.

Analistas consideram abundantes os recursos e as estreitas ligações com a China uma fonte confiável do empréstimo público
Fotografia: Santos Pedro|Edições Novembro

A empresa de consultoria associada à agência de classificação de risco soberano Fitch Ratings divulgou, no final de Agosto, previsões de crescimento em 2017 e 2018, num dos seus relatórios  mensais sobre a evolução da economia.
A BMI explicou que a previsão está alicerçada no aumento de curto prazo na produção de petróleo no poço Kaombo, da Total, que quando estiver operacional vai aumentar a produção em 230 mil barris por dia.
Numa breve análise sobre as previsões para alguns países africanos, os analistas escrevem que este aumento da produção “representa uma subida de 7,00 por cento e leva a um maior volume de exportações” angolanas, o maior produtor de petróleo da África Subsaariana, a par da Nigéria.
O aumento das receitas por esta via, vincam, “vai melhorar o acesso a divisas estrangeiras, estabilizando a taxa de câmbio do mercado paralelo e aumentando o poder de compra dos consumidores”.
Os analistas da BMI dizem, no entanto, que estes desenvolvimentos “são transitórios, e a produção de petróleo vai retomar a tendência de declínio em 2019, o que significa que estas melhorias são de curta duração”.
No final de Agosto, esta consultora já tinha escrito que, “apesar dos ventos favoráveis oferecidos pelo sector petrolífero, a alta inflação, um fraco ambiente empresarial e a incerteza sobre o futuro do regime da taxa de câmbio pelo banco central vão garantir que o investimento continue abaixo do potencial e, em última análise, qualquer recuperação económica é curta”.
É por isso que, a seguir a um crescimento de 4,1 por cento no próximo ano, as estimativas apontam para um abrandamento para os 2,4 por cento em 2019 e 2020, o que é insuficiente para um país em desenvolvimento, como é o caso de Angola.
Entre as vantagens do país, a BMI Research aponta  os “abundantes recursos naturais, como diamantes e hidrocarbonetos”, e as estreitas ligações com a China, apresentadas como “uma fonte confiável de empréstimos públicos a taxas relativamente baratas”.
Em sentido inverso, os analistas destacam a “enorme dependência estrutural do petróleo”, que vale mais de 90 por cento do total das exportações e cerca de 70 da receita fiscal, além da “elevada corrupção e um inóspito ambiente empresarial, que é um obstáculo aos investidores estrangeiros e nacionais”.
A nível financeiro, a análise aponta como ameaças os custos do serviço da dívida externa, com taxas de juro a rondar os 10 por cento, o que leva os analistas a preverem que “Angola se arrisca a entrar em incumprimento financeiro se os empréstimos continuarem a este nível ou se a instabilidade política prejudicar as receitas fiscais”.
A economia angolana cresce 2,00 por cento este ano, indicam novas estimativas da empresa de consultoria BMI Research, associada a agência de notação Fitch Ratings Num relatório consagrado à economia angolana, a empresa de consultoria afirma que o país obtém uma recuperação modesta no crescimento económico durante os próximos dois anos devido a uma melhoria na perspectiva de evolução do sector petrolífero.
A BMI Research alerta, no documento, que uma “inflação muito elevada” e um fraco ambiente empresarial vão pesar na produção noutros sectores da economia, negando uma recuperação mais abrangente.
Seja qual for a cifra, as previsões das principais organizações internacionais são bastante optimistas, o que cria boas expectativas nos investidores externos.

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