Economia

Cooperação bilateral deve ser estratégica

Natacha Roberto

O presidente da Associação dos Industriais de Angola (AIA), José Severino, acredita que a parceria estratégica entre Angola e Portugal deve ser implementada numa acção permanente entre os dois Estados e as empresas dos dois países.

José Severino considera Portugal um bom parceiro. Economista Yuri Kixima fala em rigor na gestão da dívida
Fotografia: José Cola|Edições Novembro

Em declarações ao Jornal de Angola, José Severino considerou que Portugal ganha um bom parceiro, uma vez que Angola tem 28 milhões de consumidores, aos quais se podem associar os mercados e populações da República Democrática do Congo (RDC) e da Zâmbia.
Para José Severino, Angola deve aproveitar o facto de Portugal ser membro da União Europeia, para penetrar noutros mercados da-quele continente e garantir parcerias económicas. Defende uma cooperação que defina benefícios entre as partes na  transformação de produtos de origem nacional e no apoio às nossas exportações. Angola deve aproveitar todo o manancial de conhecimentos de Portugal nas áreas da investigação científica, saúde e outros sectores, acrescentou.

Gestão da dívida
O anúncio de que a maior parte da dívida pública contraída junto de fornecedores portugueses não consta no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado, um valor de cem mil milhões de kwanzas, deve constituir uma preocupação, uma vez que reflecte algum descontrolo nos compromissos, considerou o economista Yuri Kixima.
“A dívida contraída sem observar as regras de execução do Orçamento Geral do Estado demonstra estarmos perante a uma tendência de descontrolo”, considerou, acrescentando que, “se queremos garantir maior confiança dos nossos credores, devemos primar pelo rigor na gerência das dívidas.”
Yuri Kixima acredita que Portugal pode garantir, a longo prazo, conhecimentos nas áreas de investigação científica com as universidades portuguesas e nos domínios da saúde, energia e águas e sistemas inteligentes de saneamento básico.
“As relações entre os países devem deixar de ser imediatistas para gerarem sustentabilidade,  porque esta cooperação deve, de forma absoluta, reflectir-se na qualidade de vida das famílias angolanas”, disse.
Na sua opinião, Angola deve utilizar a cooperação com Portugal para ganhar novos mercados europeus e assegurar novas parcerias empresariais para desenvolver o mercado nacional. “A nossa cooperação não deve cingir-se às consultorias que pouco contribuem para o desenvolvimento das capacidades dos quadros angolanos”, notou.

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